
César Magarreiro (na foto) conduz, juntamente com António Brinquete, este domingo, 15 de março, um passeio literário, no Vedor, no concelho de Elvas, dedicado ao conto “A Cruz do Corcovado”, de Camilo Castelo Branco.
A estudar a presença do Alentejo na obra do autor, depois de já ter lançado a obra “Camilo Elvas”, em 2025, César Magarreiro explica que este passeio serve, de alguma forma, para assinalar o fim das comemorações do bicentenário de Camilo Castelo Branco, nascido a 16 de março de 1825.
“Camilo Castelo Branco tem algumas, não muitas, obras em que refere o nosso Alentejo. Tem, por exemplo, um conto que escreveu sobre a nossa região, em Elvas, que é ‘A Cruz do Corcovado’. E, nesse sentido, no ano passado escrevi um livro que é ‘Camilo Elvas’. E este livro mostra algumas notas que o António Tomás Pires referiu em relação a este conto de Camilo”, explica César Magarreiro.
“A Cruz do Corcovado” narra a história de dois fidalgos que se desentenderam em 1620 e que, mais tarde, saíram de Elvas. “Um dia voltaram a Elvas para ver o bispo que estava doente e havia dois caminhos por onde eles vinham: um era azinhaga e o outro era a estrada principal. Para evitar que se encontrassem, pensaram assim: ‘ah, não vou pela estrada, vou pela azinhaga’. O outro pensou a mesma coisa, encontraram-se na azinhaga e, quando se encontraram, houve um duelo. Nesse duelo, um deles, que era corcovado, morreu. E então, precisamente no sítio onde esse corcovado morreu, foi erigida uma cruz, que é a Cruz do Corcovado, que serve de título ao conto do nosso Camilo Castelo Branco”, revela o autor natural da Terrugem.
Este domingo, os participantes no passeio literário terão oportunidade, ao mesmo tempo que conhecem a história, de visitar o local onde se encontra essa famosa cruz, num “ato histórico e cultural muito simbólico”. “Já não é a mesma cruz, que a cruz desapareceu no tempo, mas em 1898 resolveram pôr lá uma cruz idêntica, também simbólica, que tem a ver com esse duelo e a morte do corcovado”, explica ainda César Magarreiro.
“Acredito que as pessoas vão ter gosto em perceber todos os meandros que estão por trás daquela cruz tão simbólica, que tem muito a ver com a obra do Camilo Castelo Branco. Curiosamente, é uma coisa improvável de encontrarmos aqui em Elvas e no nosso Alentejo”, remata o escritor.
O passeio literário tem início às 10 horas, com partida na antiga Escola Primária do Vedor.
No decorrer da próxima semana, César Magarreiro apresentará, em duas ocasiões, em Campo Maior, a sua nova obra dedicada à relação de Camilo Castelo Branco com Ouguela, promovendo ainda um novo passeio literário naquela aldeia do concelho.















