Casa das Barcas recebe este sábado o já tradicional Festival das Sopas dos Escuteiros de Elvas

O Festival das Sopas do Agrupamento 158 de Elvas do Corpo Nacional de Escutas está de regresso este sábado, 14 de março, ao Mercado Municipal da Casa das Barcas.

O evento, que convida a comunidade a reunir-se em torno de um dos pratos mais tradicionais da gastronomia portuguesa, tem como finalidade a angariação de fundos para as atividades da secção dos Pioneiros, refere João Favita, um dos responsáveis pela organização do festival, iniciativa que já vai na sua oitava edição.

“Vamos ter algumas sopas, patrocinadas por restaurantes e pelos pais dos escuteiros, e teremos também um bar aberto e alguns doces confecionados pelos pais”, adianta João Favita.

Entre as 18 horas e a meia-noite, o público, pelo preço de cinco euros, terá oportunidade de degustar quatro sopas diferentes. “Para provar mais do que isso, terá que se pagar à parte as sopas, tal como tudo aquilo que for consumido no bar” e no espaço dedicado à venda de doces, esclarece o responsável.

À semelhança do que já aconteceu no ano passado, o evento será animado por vários jovens escuteiros que têm alguma aptidão para a música. “Habitualmente nós tínhamos um grupo musical a animar a festa. No ano passado, e como temos alguns pequenos artistas no nosso agrupamento, foram eles. Assim, eles praticam e mostram um bocado daquilo que conseguem fazer em termos artísticos, ao mesmo tempo que nos ajudam a animar o espetáculo”, diz ainda João Favita.

A iniciativa, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Elvas, promete proporcionar momentos de boa disposição a todos os participantes.

Idosos da Santa Casa de Campo Maior produzem flores de papel em momentos terapêuticos e de recordações

Os utentes das valências de lar e de centro de dia da Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior já começam a deitar mãos à obra e, por estes dias, vão produzindo flores de papel para a edição deste ano das Festas do Povo.

A verdade é que, mais do que participar e contribuir ativamente para o sucesso daquele que é o maior evento do concelho, a instituição procura, acima de tudo, proporcionar momentos lúdicos, terapêuticos e de muitas recordações aos idosos.

“O propósito de nós nos mantermos ligados a essa arte, digamos assim, com tantos anos de história, no fundo tem uma função lúdica, mas tem sobretudo uma função importantíssima terapêutica, ou seja, há aqui uma série de intervenções terapêuticas que se cruzam e que, no fundo, mexem com essa atividade de fazer flores”, explica Rosália Guerra, uma das responsáveis da Misericórdia campomaiorense.

A título de exemplo, Rosália Guerra diz que, no decorrer do processo de produção das flores, “há uma série de reminiscências sobre as vivências, sobre o que é que cada pessoa fazia nas Festas do Povo”. Entre os utentes da instituição, há pessoas que foram cabeças de rua e outras que abriram as suas garagens para a colocação das flores. “Temos histórias sobre reuniões familiares, sobre serões entre vizinhos. E é tão interessante que essas memórias surjam com um novo contacto das mãos com o papel”, acrescenta.

Voltar a trabalhar o papel, diz ainda a responsável, “faz recordar quase como se a memória não tivesse sofrido alterações. São histórias, momentos, vivências extremamente interessantes e isso deixa-nos imensamente felizes”, remata.

De recordar que, desta vez, a Santa Casa da Misericórdia uniu-se ao Lar e Centro de Dia de Degolados para, nas Festas do Povo, e através de um projeto comunitário, as duas instituições contribuírem com a enramação de alguns troços de uma rua da vila (ver aqui).

Elvas encerra comemorações do bicentenário de Camilo Castelo Branco com passeio literário

César Magarreiro (na foto) conduz, juntamente com António Brinquete, este domingo, 15 de março, um passeio literário, no Vedor, no concelho de Elvas, dedicado ao conto “A Cruz do Corcovado”, de Camilo Castelo Branco.

A estudar a presença do Alentejo na obra do autor, depois de já ter lançado a obra “Camilo Elvas”, em 2025, César Magarreiro explica que este passeio serve, de alguma forma, para assinalar o fim das comemorações do bicentenário de Camilo Castelo Branco, nascido a 16 de março de 1825.

“Camilo Castelo Branco tem algumas, não muitas, obras em que refere o nosso Alentejo. Tem, por exemplo, um conto que escreveu sobre a nossa região, em Elvas, que é ‘A Cruz do Corcovado’. E, nesse sentido, no ano passado escrevi um livro que é ‘Camilo Elvas’. E este livro mostra algumas notas que o António Tomás Pires referiu em relação a este conto de Camilo”, explica César Magarreiro.

“A Cruz do Corcovado” narra a história de dois fidalgos que se desentenderam em 1620 e que, mais tarde, saíram de Elvas. “Um dia voltaram a Elvas para ver o bispo que estava doente e havia dois caminhos por onde eles vinham: um era azinhaga e o outro era a estrada principal. Para evitar que se encontrassem, pensaram assim: ‘ah, não vou pela estrada, vou pela azinhaga’. O outro pensou a mesma coisa, encontraram-se na azinhaga e, quando se encontraram, houve um duelo. Nesse duelo, um deles, que era corcovado, morreu. E então, precisamente no sítio onde esse corcovado morreu, foi erigida uma cruz, que é a Cruz do Corcovado, que serve de título ao conto do nosso Camilo Castelo Branco”, revela o autor natural da Terrugem.

Este domingo, os participantes no passeio literário terão oportunidade, ao mesmo tempo que conhecem a história, de visitar o local onde se encontra essa famosa cruz, num “ato histórico e cultural muito simbólico”. “Já não é a mesma cruz, que a cruz desapareceu no tempo, mas em 1898 resolveram pôr lá uma cruz idêntica, também simbólica, que tem a ver com esse duelo e a morte do corcovado”, explica ainda César Magarreiro.

“Acredito que as pessoas vão ter gosto em perceber todos os meandros que estão por trás daquela cruz tão simbólica, que tem muito a ver com a obra do Camilo Castelo Branco. Curiosamente, é uma coisa improvável de encontrarmos aqui em Elvas e no nosso Alentejo”, remata o escritor.

O passeio literário tem início às 10 horas, com partida na antiga Escola Primária do Vedor.

No decorrer da próxima semana, César Magarreiro apresentará, em duas ocasiões, em Campo Maior, a sua nova obra dedicada à relação de Camilo Castelo Branco com Ouguela, promovendo ainda um novo passeio literário naquela aldeia do concelho.