
A gestão dos recursos hídricos do Alqueva tornou-se o centro de um novo debate sobre o futuro do Alentejo, após a decisão do Governo de aumentar o volume anual de água extraída em 110 milhões de metros cúbicos.
Segundo José Janela, da Quercus, esta medida canaliza a grande maioria do recurso — cerca de 100 milhões de metros cúbicos — para o regadio, deixando apenas uma parcela mínima para o consumo urbano e industrial. A organização ambientalista alerta que esta opção política reforça a prioridade dada à agricultura intensiva, ignorando a crescente escassez hídrica que fustiga a região e colocando em causa o equilíbrio entre a exploração económica e a preservação do território.
As preocupações dos especialistas prendem-se com os riscos a longo prazo para o abastecimento humano e para a resiliência dos ecossistemas alentejanos. Numa altura em que as alterações climáticas reduzem a previsibilidade das reservas, a Quercus defende que aumentar a pressão sobre a albufeira do Alqueva pode comprometer a sustentabilidade do Alentejo. A decisão é vista como um sinal de alarme, com os ambientalistas a pedirem uma revisão estratégica que privilegie a eficiência e a proteção de um recurso que já não é inesgotável, em vez de continuar a expandir modelos de produção agrícola de alto consumo de água.
Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo:















