
O Governo vai criar matadouros móveis e passar a permitir o abate de animais em explorações agrícolas, anunciou o secretário de Estado da Agricultura, João Moura, em Arronches, no fim de semana passado, aquando da sua visita ao Festival “Saberes & Sabores do Porco Alentejano”.
A nova lei, que irá dar resposta às dificuldades, sobretudo sentidas em zonas do país onde a falta ou inexistência de matadouros limita a atividade dos produtores, deverá ser aprovada “nas próximas semanas”.
Sendo que os matadouros em Portugal são de “iniciativa privada”, João Moura explica que, com a medida, o Governo procura, acima de tudo, “potenciar os territórios de baixa densidade”. Por outro lado, com a entrada em vigor da nova legislação, será possível reduzir a necessidade de transporte de animais vivos: “o que é transportado não são os animais vivos, são as carcaças”.
Defendendo que a agricultura “não tem de ser o parente pobre de Portugal”, mas sim um dos “motores económicos da sociedade”, o secretário de Estado diz ser necessário, para isso, incentivar os jovens a encararem o setor como “uma opção de futuro”.
Mas mais que isso: João Moura diz que é preciso “ambição” e “potenciar os produtos nacionais”, evitando-se, desde logo, que o seu valor acrescentado fique lá fora. “Tantas vezes estamos habituados, por exemplo, a que o presunto de porco alentejano seja vendido lá para fora, ou que os nossos borregos sejam vendidos lá para fora, para que depois sejam transformados lá fora e o valor acrescentado fique fora do nosso país. E o grande desafio é esse: é incentivar os mais jovens, é incentivar aqueles que hoje não têm nada a ver com a agricultura, que podem ver aqui uma opção de emprego e de gerar riqueza para o nosso país e para eles próprios”, assegura.
O governante, que lembra que os turistas e os imigrantes “se deliciam com aquilo que são os produtos de origem portuguesa”, e ainda que “a marca Portugal é uma marca que já está muito reconhecida no mercado”, assegura que é necessário potenciá-la.
A criação do Dia das Raças Autóctones, com vista à sua valorização, é outro dos objetivos do Governo. “Nós temos uma linha de apoio muito fortificada para a sanidade animal, para fortalecer aquilo que é a produção animal, no sentido de proteger as explorações, para resistirem àquilo que vão sendo cada vez mais os ataques que vamos tendo a vários níveis, em várias espécies”, acrescenta o governante.
Por outro lado, será criada uma marca: “criando esta marca de Portugal, a marca dos produtos autóctones portugueses, acho que conseguiremos ter aqui uma valorização melhor e damos uma ajuda maior à produção, porque não vale a pena termos um produto de extrema qualidade se depois não temos quem o produza”.















