Santa Casa de Portalegre encerra casas de acolhimento por falta de condições

A Santa Casa da Misericórdia de Portalegre decidiu encerrar as duas casas de acolhimento de menores que estavam sob a sua gestão, desde 2014, tendo em conta um acordo de cooperação que existia com a Segurança Social.

Relativamente à Casa de Acolhimento de Santo António, onde estavam cerca de 13 rapazes, encerrou na passada quinta-feira, dia 2 de junho; já a Casa de Acolhimento de Nossa Senhora da Conceição, que acolhia 12 raparigas, vai encerrar em setembro.

A provedora da instituição, Luísa Moreira, justifica a denúncia deste acordo de cooperação e consequente encerramento das casas de acolhimento com o facto de não existirem condições para o seu funcionamento com a dignidade que os jovens precisam. “A mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia tem como prioridade a qualidade dos serviços, o apoio aos seres humanos e aos seus utentes e, as casas de acolhimento não tinham condições para funcionar com a dignidade que os jovens precisam e, o com o que era pago com o acordo, não era possível a contratação de técnicos especializados para a reeducação destes jovens”, revela.

Estes jovens, dos 6 aos 17/18 anos, revela a provedora, alguns portadores de deficiência, défices cognitivos e outras patologias, estavam a ser acompanhados, por “funcionários que faziam o melhor que podiam e sabiam, mas não tinham preparação específica para o cargo que estavam a desempenhar”.

“A educação é uma ciência e não uma prática para a qual alguns têm ou não jeito”, diz Luísa Moreira, acrescentando que os jovens precisam de “ferramentas de apoio que lhes permitam construir uma integração na sociedade de sucesso”, algo que os trabalhadores, afetos a estas casas, não tinham.

A provedora acrescenta que, na verdade, “eles estavam acolhidos, tinham casa e comida, mas não iam à escola, não havia reconhecimento de autoridade, não tinham regras, havia consumos, adições, agressões violentas e, a mesa da Santa Casa não podia compactuar e impedir que os jovens fossem reabilitados e, a maior preocupação são os jovens, que são os últimos responsáveis nesta cadeia, por isso já chega tudo o que passaram”.

O encerramento destas duas casas de acolhimento não foi uma atitude tomada de ânimo leve, revela ainda a provedora da Santa Casa da Misericórdia, dizendo que havia dois caminhos: ou “fechávamos os olhos, continuávamos a receber o acordo da Segurança Social, que dá jeito porque entra dinheiro na instituição, que tem uma crise financeira brutal, e deixávamos que o tempo passasse; ou, pelo contrário, preocupávamo-nos e olhávamos para aquelas casas com olhos humanistas, tentávamos encontrar uma solução e, não tendo como fazer face ao problema era mais seguro para os jovens abdicar do protocolo”.

A provedora afirma que a instituição “prescindiu do dinheiro” que a Segurança Social atribuía, por cada um dos jovens, mensalmente, “em prol do bem-estar” dos mesmos.

Relativamente aos 33 funcionários que estavam afetos às duas casas de acolhimento, Luísa Moreira refere que, aqueles que quiseram são, agora, integrados noutras valências da instituição, havendo dez que pediram para abandonar a Santa Casa.

Quanto aos 25 menores, serão agora realojados, pela Segurança Social, noutras casas de acolhimento do país.