Libelinhas da Serra de São Mamede no “Ambiente em FM”

Publicada há cinco anos, a obra “Passeio da Serra de São Mamede – As libelinhas da região”, do portalegrense Francisco Simão, mantém toda a atualidade.

O livro, de grande formato, conta com um grande acervo de fotografias, em que, segundo revela José Janela, da Quercus, na edição desta semana do “Ambiente em FM”, o leitor é levado a conhecer a serra mais alta a sul do Tejo. “Essa elevação, como é a mais proeminente em relação ao litoral a essa latitude, faz com que os ventos, que trazem ar húmido, subam, arrefeçam e se condense a água. É uma ilha húmida no seio da planície alentejana. É por isso uma ilha de biodiversidade para muitas espécies e uma transição biogeográfica entre o norte e o sul de Portugal, tendo um grande número de espécies característicos de um clima mais atlântico e de um clima mais mediterrânico”, explica o ambientalista.

A segunda parte do livro centra-se nas libelinhas e libélulas, adianta José Janela, sendo que, através de um conjunto de fotografias de qualidade, o autor procura acabar com o preconceito das pessoas em relação aos insetos. “Este livro leva a que pessoas que tenham preconceito em relação aos insetos fiquem admiradas com a qualidade das fotografias em modo macro, que nos revelam pormenores de uma rara beleza e que são invisíveis a olho nu. É por isso também um bom contributo para acabar com alguns preconceitos e para valorizar toda a biodiversidade”, adianta. “O facto do autor dedicar uma parte importante da obra aos Odonata permite perceber a sensibilidade destes animais para o bom funcionamento dos ecossistemas, uma vez que os insetos desta ordem, além da sua inegável beleza, são também indicadores do estado dos nossos recursos de água doce, que são de importância capital para a vida na Terra, incluindo a nossa espécie”, diz ainda.

Na Serra de São Mamede e segundo o autor Francisco Simão, há locais onde já não se encontram há alguns anos várias espécies que ficaram registadas no livro.