Com gestão “no fio da navalha”, ADAITI não como reabrir creche em São Vicente

A Freguesia de São Vicente e Ventosa, no concelho de Elvas, está privada, desde o ano passado, da valência de creche, tendo sido os pais das crianças dos seis meses aos três anos, desde de agosto de 2020, obrigados a procurar outras instituições para deixar os seus filhos, em Elvas, noutras freguesias ou até mesmo fora do concelho. E assim continuará a ser, porque, ao contrário do que acontece na Terrugem, esta valência não reabrirá, pelo menos, nos próximos tempos.

A situação desta valência que, até ao ano passado, era assegurada pela Associação de Apoio à Infância e Terceira Idade (ADAITI), de acordo com o presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida, é mais complicada que a da Terrugem, devido à alegada falta de crianças. “Segundo informação, há pouco mais de três ou quatro crianças, e aí é muito difícil qualquer entidade assumir a responsabilidade de reabrir uma creche”, explica o autarca. “Há que ver formas de poder responder a essas necessidades”, remata.

A Rádio ELVAS sabe que, em idade de frequentar a creche, há, pelo menos, 12 crianças em São Vicente. Esta, contudo, é uma situação, que, de acordo com o presidente da AAITI, Manuel Anastácio, é momentânea, pelo que, a médio e longo prazo, não seria viável reabrir esta valência. “Há aqui algumas crianças, mas isso é uma situação atual, que não quer dizer que, para o ano, se mantenham, porque algumas já passam para o infantário”, alega.

“Nós, neste momento, estamos a resolver um problema, que veio da direção anterior, em que ficámos com ‘o menino nas mãos’. Tivemos de pagar, e estamos ainda a pagar, indemnizações às funcionárias”, recorda Manuel Anastácio, fazendo referência às colaboradoras da instituição que ali trabalhavam, até a creche ter encerrado portas.

O presidente da Direção da associação, que tem à sua responsabilidade o lar da freguesia, defende ainda que a não se verificar uma fixação de jovens em São Vicente, nos próximos anos, não há como reabrir a creche. “As condições estruturais da creche também já não estão atualizadas, para aquilo que são algumas exigências que nos fazem, para também se manter alguma qualidade no serviço”, acrescenta.

Agora, e “a cumprir com as responsabilidades”, mas com a gestão da instituição no “fio da navalha”, diz Manuel Anastácio, a reabertura da creche só iria criar mais dificuldades. “De certeza que os resultados não iriam ser muito positivos”, remata.