UGT Portalegre quer “país todo igual”

A UGT Portalegre considera que o primeiro objectivo digital, numa altura em que muito se fala de digitalização, ou mesmo da transformação digital, “deveria ser tornar um país todo igual, mas assim não acontece. No Alentejo, por exemplo, entre as capitais de distrito (aquelas que eram para passar a estar ligadas por ferrovia através do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, mas que o Governo reconsiderou para pior), em Portalegre, na N18 ou no IP2, entre Évora e Beja, e a seguir para sul, não há civilização. Ela só volta a existir quando chegamos ao Algarve. Já para não falar das falhas na A2 – auto-estrada do sul, a que foi menina dos olhos do Governo de então.

Na realidade, o que verificamos é cada vez menos acessos, menos cobertura, menos interligação, e mais despesas com operadoras e maior distanciamento social, ainda que se apregoem “avanços”, como é o caso do teletrabalho ou do trabalho remoto, com recurso a tecnologias de informação e comunicação”.

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“O que se pretende é maior cobertura, maior flexibilidade, custo mais reduzido. Exigindo-se uma maior aceleração, agora ainda mais devido à Covid-19. Mas, ao contrário, a UGT Portalegre tem conhecimento de quem tenha que sair de casa e deslocar-se para dentro de um galinheiro para conseguir ter cobertura de rede.

A somar a tudo isto, deveria ser continuamente publicitada uma comparação do preço da internet com os outros Estados-membros, apelando à igualdade, e que nos deveria obrigar a sermos mais exigentes, o que também não acontece”.

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“No âmbito regional, e como exemplo de iniciativas supra municipais, temos a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), em parceria com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo, a adquirir infra-estruturas, equipamentos e serviços de Wi-Fi, com o objectivo de melhorar e desenvolver acessibilidades digitais para turistas e residentes, tendo como principal base orientadora a coesão do território e o fortalecimento de um conceito integrado de promoção turística do Alto Alentejo.

A UGT Portalegre questiona, por isso, se estará na hora de reconsiderar a Regionalização.

Até porque esta é a mesma digitalização que leva ao encerramento de agências bancárias e outros serviços por todo o interior, não promovendo as relações interpessoais, e que não aproxima os representantes políticos das pessoas. (…) Parecem andar a brincar com quem trabalha e a incrementar um cada vez maior aumento do envelhecimento e isolamento do interior”.

A UGT Portalegre considera que “caminhamos para uma desvalorização do humanismo perante o avanço da digitalização, e ainda agitam uma regulação através da Carta dos Direitos Humanos da Era Digital, em vésperas da sua entrada em vigor.

Terminamos, relembrando que já para Charles Dickens, que viveu no séc. XIX, “a comunicação eléctrica nunca será um substituto para o rosto de alguém, que com a sua alma encoraja outra pessoa a ser brava e verdadeira.”