Ausência de espanhóis faz “alguns estragos” no El Cristo

À semelhança do que acontece com outros restaurantes e espaços hoteleiros de Elvas, também o El Cristo tem sentido a ausência dos clientes espanhóis que, por esta altura, devido ao facto das fronteiras se manterem encerradas, não de puderem deslocar ao concelho.

Antes da pandemia e do encerramento de fronteiras, a clientela espanhola representava cerca de 60 por cento do público habitual da marisqueira elvense, de acordo com o proprietário, Miguel Mendão, que não esconde que esta ausência se traduz em “alguns estragos”.

Ainda assim, e mesmo no período antes de eclodir a pandemia, no país e no mundo, garante o empresário, os espanhóis começaram a afastar-se um pouco de Elvas e consequentemente do El Cristo, tendo em conta o aumento “do controlo de taxas de alcoolemia”, durante os fins de semana. Com isto, assegura Miguel Mendão, as noites na marisqueira, às sexta-feiras e sábados, começaram a ser preenchidas, em cerca de 90 por cento, por portugueses.

Estando a funcionar, ainda que a meio gás, quer devido às restrições em termos de horários, quer pela falta dos clientes do outro lado da fronteira, e com o serviço de take-away e entregas ao domicílio, “as quebras são muito menores”. “Com um bocadinho de sorte, nem quebras vamos tendo, só a trabalhar com os nossos habitantes”, diz ainda.

A verdade é que, com o restaurante encerrado ao público, durante um longo período de tempo, o El Cristo acabou por conseguir suplantar algumas das lacunas, devido à situação pandémica, através do seu serviço de take-away, que acabou mesmo por crescer. Antes, conta Miguel Mendão, o restaurante já tinha take-away, mas “não com a intensidade de hoje em dia”. “Hoje em dia fazemos take-away como estávamos a fazer com o restaurante fechado”, garante ainda, lembrando que continuam a fazer entregas ao domicílio.

A restrições impostas pela própria pandemia ao negócio, garante o empresário, “abanou um bocadinho” as contas do El Cristo, sendo que, da experiência, do último ano, Miguel Mendão retira, acima de tudo, “uma aprendizagem”. “Contabilisticamente, temos outra maneira de pensar”, garante.

“Somos uma marca firme no mercado e quando isto voltar ao normal, vamos cá estar para dar sempre o nosso melhor. Temos clientes que vêm de Lisboa, do Porto, de todo o país, que vão para Espanha, em negócios e o El Cristo é uma paragem quase obrigatória para algumas pessoas”, remata Miguel Mendão.