Igrejas podem abrir para oração individual, diz arcebispo de Évora

O arcebispo de Évora, numa nota pastoral enviada ontem, 22 de janeiro, à redação desta estação emissora, e no seguimento da suspensão das missas, pela Conferência Episcopal Portuguesa, faz saber que as igrejas “poderão abrir as suas portas para oração individual dos fiéis de acordo com as necessidades pastorais e os costumes de cada comunidade”.

Para além disso, a catequese deverá continuar a realizar-se através das plataformas digitais. As “Exéquias cristãs poderão celebrar-se com a presença de familiares, seja na Igreja ou na Casa Mortuária”, faz saber ainda.

Quanto às “celebrações do Baptismo, Matrimónio, Confirmação e Unção dos Doentes devem ser adiadas para momento mais oportuno, quando a situação sanitária o permitir”.

O comunicado, na íntegra, para ler abaixo:

“Em absoluta consonância com as orientações ontem emanadas pela Conferência Episcopal Portuguesa, dirijo-me à amada Arquidiocese de Évora, neste doloroso momento que nos é dado viver. Desde já agradecido a Deus pela comunhão e unidade testemunhadas em todo o nosso presbitério, diaconia, religiosas e religiosos, e laicado. Os tempos que vivemos revestem-se de profunda gravidade e exigem de todos nós prudência e responsabilidade.

  1. Em primeiro lugar gostaria de transmitir uma profunda e sentida palavra de gratidão a todos os Presbíteros, Diáconos, Religiosas, Religiosos e Comunidades Cristãs pela coragem, segurança e responsabilidade com que nestes últimos tempos participámos nas celebrações litúrgicas, nomeadamente na Eucaristia;
  2. Num momento em que são pedidos sacrifícios a toda a sociedade, mais uma vez a Igreja em Portugal tomou a dolorosa iniciativa de suspender as celebrações ‘públicas’ da Eucaristia. Sabemos o quanto sofrimento nos causa, a nós pastores e a todo o povo de Deus a quem servimos, mas temos consciência de ser este também o nosso contributo para a defesa da saúde e da vida que são Dom de Deus.
  3. Neste momento tão particular, como pastores, continuamos a ser chamados a acompanhar, com disponibilidade humana e sacramental, o Povo de Deus, manifestando a proximidade e o Amor que o Senhor, o Bom Pastor, tem por cada um de nós.
  4. No actual contexto venho reafirmar as minhas Orientações de 5 de Maio de 2020:

– As “Igrejas e Capelanias poderão abrir as suas portas para oração individual dos fiéis de acordo com as necessidades pastorais e os costumes de cada localidade/comunidade”;

– “Em relação à Catequese bem como a outras acções formativas, deverão continuar a ser· realizadas através das plataformas digitais”;

– “As Exéquias cristãs poderão celebrar-se com a presença de familiares, seja na Igreja ou na Casa Mortuária ou/e (…) com Encomendação no Cemitério. Deverá ter-se em consideração a dimensão do espaço para a celebração, atendendo ao número de familiares presentes” e outras normas aplicáveis, nomeadamente referentes ao Cemitério;

– As celebrações do Baptismo, Matrimónio, Confirmação e Unção dos Doentes devem ser adiadas para momento mais oportuno, quando a situação sanitária o permitir, “excepto em situações de assinalável gravidade”.

Neste ano Pastoral em que somos chamados a “procurar e acolher os sedentos de Esperança” não deixemos de ser verdadeiros missionários da Esperança que Deus nos chama a viver, testemunhar e anunciar.

Mais uma vez o meu profundo agradecimento a todos os profissionais de saúde, forças de segurança e de socorro, aos Bombeiros, às Santas Casas da Misericórdia, aos Centros Sociais Paroquiais, Fundações e a todos quantos neste tempo de pandemia, tantas vezes esquecendo-se de si, têm oferecido as suas vidas ao cuidado dos outros, especialmente dos doentes, idosos, sós e mais frágeis.

Nestes tempos tão incertos e dolorosos, a luz da nossa fé aponta-nos o caminho da oração como âncora de esperança e conforto. Por isso, convido todos os cristãos a unirmo-nos em prece confiante pelo eterno descanso de todos os falecidos, pelo fortalecimento de todas as famílias em sofrimento, pela cura de todos os doentes e que recompense quem serve as causas da saúde, da solidariedade e da humanização.

Que Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal e da nossa Arquidiocese interceda por todos nós.

Évora, 22 de Janeiro de 2021, Memória de S. Vicente, Diácono e Mártir

+ Francisco José, Arcebispo de Évora”