Falta de turistas em Elvas obriga a que Tuk Tuk fique na garagem

Foto: Facebook Tuk 2 You

Há dois anos que Frederico Rasquilha (na foto) veio para Elvas, trazendo consigo um tuk tuk: um produto turístico que, desde essa altura, tem possibilitado, sobretudo a quem visita a cidade, um passeio com passagem pelos espaços e monumentos mais emblemáticos, a partir do centro histórico.

A verdade é que o turismo tem sido uma das áreas mais fustigadas pela pandemia, pelo que Frederico se viu obrigado a deixar o tuk tuk na garagem, no final de setembro. “Este ano estou a fazer muito menos viagens, que aquilo que fiz no ano passado. Agora estou completamente parado”, revela.

“Mexi alguma coisa nos meses de julho e agosto. Em setembro ainda fiz alguma coisinha. A partir daí, a mota está guardada. Nem sequer tenho saído à rua, porque o movimento que vejo não me parece justificar”, adianta.

Frederico lembra que, com todas as limitações impostas pelo Estado de Emergência, já não se veem turistas em Elvas, por exemplo, do norte do país, nem mesmo os vizinhos espanhóis. “Não há circulação de pessoas de outros concelhos e temos notado essa quebra. Desde o final de setembro que não faço um passeio”, assegura.

Foto: Facebook Tuk 2 You

Por esta altura, no ano passado, Frederico, apesar do frio, conseguiu fazer alguns passeios, sobretudo ao fim de semana, com o público espanhol. “No inverno nunca fazemos muito, mas o fim de semana mexe e acabamos por conseguir fazer um ou dois passeios”, adianta, lembrando o cenário de anos anteriores, que contrasta com o 2020 atípico que se atravessa.

Apesar da falta de turistas, e não sendo a população de Elvas o público-alvo deste serviço, Frederico tem esperança que, a partir de março ou abril, a atividade possa ser retomada. “Isto vai depender muito das regras que nos vão impor, mas assim que as limitações e os Estados de Emergência acabarem, as pessoas vão circular”, o que acredita que fará regressar o movimento à cidade de Elvas.

Por uma questão de segurança, esta também não é a melhor altura para efetuar os passeios, explica ainda Frederico: “apesar do tuk tuk poder ser fechado e ter mantas, isto não é aconselhável”. “Estar num tuk tuk que não tem dois metros quadrados, com três pessoas, fechados com lonas e a partilhar mantas de aquecimento de cliente em cliente, não me parece que seja o mais indicado, neste momento”, acrescenta.

Frederico não tem dúvidas que diversos setores, como o da animação turística, vão enfrentar uma dura crise económica, ainda que perceba que a população não procure, entre outros, os tuk tuks, por não ser um serviço essencial. Esta, garante ainda, vai ser crise sem precedentes, sendo que, para que mais tarde tudo volte a uma possível normalidade, será necessário “reaver a confiança” das pessoas.

À semelhança do que acontece com Frederico, em Elvas, a grande maioria dos condutores de tuk tuk, em grandes cidades, como Lisboa, veem-se sem trabalho, com a queda no turismo.

Na verdade, os condutores já estavam habituados a trabalhar durante o verão para garantir o resto do ano, mas a falta de turistas, devido à pandemia, veio deixá-los desamparados, sobretudo a quem depende exclusivamente deste negócio.