Entretenimento online torna-se uma das opções preferidas dos portugueses

Foi-se o tempo em que as opções de entretenimento estavam limitadas a desportos ao ar livre ou dentro dos media tradicionais. Já há muitos anos as atividades online têm sido um grande alvo de interesse, sobretudo das gerações mais novas – mas não apenas delas. Um estudo recente da PSE, empresa especializada em pesquisa avançada, revela que a população do país vai, em média, 72 vezes à internet por dia. O mesmo estudo mostra também que as atividades de lazer representam 25% desse tempo.

Um exemplo concreto dessa mudança de comportamento para as atividades online vem do mercado de games, que já vale 250 milhões de euros em Portugal e representou 7% das vendas da Worten em 2018, uma das principais empresas de consumo e entretenimento do país.

O digital dentro e fora de casa

Não é por acaso também que empresas de streaming de conteúdos têm surgido com cada vez mais força no país. Para além da Netflix, que é a líder do segmento país, há também opções como a Amazon Prime Video, a Disney Plus e a portuguesa NOS TV. É importante lembrar que todas essas empresas possuem também a aplicação para telemóvel, o que permite que uma pessoa possa assistir aos conteúdos de qualquer lugar com conexão à internet.

Ou seja, é possível combinar atividades ao ar livre com as atividades online. Um exemplo disso são as aplicações que utilizam a realidade aumentada. Em 2016, o jogo Pokemon GO fez milhares de pessoas saírem às ruas para se divertir e mostrou a força que a união entre o “mundo real” e o “mundo virtual” pode ter. O jogo continua a ter atualizações e milhares de adeptos até os dias de hoje.

Jogos online: uma tendência global

O que também tem ganhado cada vez mais espaço nos últimos anos são os “jogadores online”. O número aumentou em 22,7% entre os anos de 2018 e 2019, segundo pesquisa feita pela consultora Winning Scientific Management para a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO). Os jogadores online possuem uma grande variedade de entretenimento como poker, blackjack, roleta, além de apostas em jogos das mais diversas ligas de futebol ao redor do mundo. Há mais de 1 milhão de contas ativas em todo o país para este tipo de entretenimento, o que significa cerca de 500 mil usuários únicos.

Tais dados apontam que entre 4,6% e 6,9% dos adultos do país são “jogadores online”. Isso reforça a tendência de uma migração para atividades online e que antes eram feitas em locais específicos, como um casino, no caso dos jogos, ou uma sala de cinema, no caso dos filmes.

Trata-se de um fenômeno que não ocorre apenas dentro do país. A indústria de videojogos já fatura mais do que a de cinema há anos no mundo inteiro. O crescimento dos eSports na última década com jogos como League of Legends, Counter Strike e a série de games de futebol FIFA ajudou a impulsionar essa nova forma de comportamento.

Da mesma maneira, os serviços de streaming de conteúdo têm faturado cada vez mais nos últimos anos. E enquanto a indústria se adapta e se modifica com essa nova realidade, quem consome também precisa se acostumar e perceber de que maneiras podem tomar melhor proveito dessas novidades. Há, inclusive, quem afirme que tais mudanças melhoram a vida dos portugueses.

Novas opções e novos mercados

Obviamente, isso não significa que atividades como assistir aos campeonatos de futebol, a ida a restaurantes, casinos, cinemas, ou mesmo o contacto direto com outras pessoas diminuíram ou perderam o espaço. É muito comum, por exemplo, que as praias fluviais estejam sempre cheias de moradores locais e visitantes aos verões. Entretanto, é curioso perceber que esse novo tipo de atividade tem captado cada vez mais interesse da população de Portugal.

O que se pode tirar de positivo de tal mudança é o facto de existirem novos mercados a serem explorados e uma oportunidade para crescimento de diversos setores da economia, inclusive do ponto de vista local. Mas para além do financeiro, vale também ressaltar o número de opções de atividades que a população pode escolher – basta ter acesso a elas.