Roberto Grilo e Ceia da Silva disputam CCDR Alentejo

O atual líder da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Roberto Grilo, decidiu desafiar o candidato escolhido pelo PS, António Ceia da Silva, após ter recolhido 300 assinaturas de todos os quadrantes políticos com assento no colégio eleitoral local. Roberto Grilo avança com o mote “Alentejo Primeiro”, nas primeiras eleições indiretas para as entidades regionais gestoras de fundos comunitários.

Após um mês de reflexão, Roberto Grilo decidiu avançar com uma candidatura independente e alternativa à do candidato escolhido pelo PS, António Ceia da Silva, ex-deputado pelo partido e líder do Entidade Regional de Turismo do Alentejo. Para ir a votos sem aval partidário, nas primeiras eleições indiretas das entidades gestores de fundos comunitários a nível regional, o atual presidente da CCDR-Alentejo conta com 300 assinaturas de todas as forças políticas, do PSD ao PCP a independentes, mais 50% do que as exigidas legalmente, representando 15% do total de eleitores do colégio eleitoral autárquico.

Nas eleições marcadas para 13 de outubro, Roberto Grilo, militante do PSD, mas afastado das “lides políticas do partido” desde que assumiu a presidência da CCDR, em 2015, candidata-se com o mote “Alentejo Primeiro”. A quatro dias da apresentação obrigatória das candidaturas às cinco comissões de coordenação e desenvolvimento regional, Grilo afirma que vai a votos por considerar que conhece “melhor do que ninguém a conjuntura do grande Alentejo”, escudado em cinco anos de gestão no terreno e por ter recebido apoios para se candidatar “que ultrapassaram o expectável”.

“Não podia virar as costas ao Alentejo, face aos apelos e incentivos que me chegaram de autarcas e demais eleitores de todas as cores políticas”, refere, salientando que os próximos dez anos são fundamentais para o desenvolvimento do território, numa altura em que é necessário garantir o melhor investimento de fundos europeus de combate à crise pandémica, “a par dos traçados pela estratégia de médio e longo prazo para o horizonte 2030”.

Na partilha da liderança das CCDR, negociadas em segredo entre António Costa e Rui Rio, a indicação do candidatado à presidência da CCDR-Alentejo coube aos socialistas, por ser o partido dominante no mapa autárquico local, embora sem maioria absoluta no colégio eleitoral, constituído por presidentes de câmara, vereadores com e sem pelouro, deputados municipais e presidentes de junta de freguesia, que têm por inerência assento nas assembleias municipais.

António Ceia da Silva, elogiado pelo trabalho ao leme da entidade de turismo, tem sido um nome contestado para a liderança da CCDR-Alentejo por alguns autarcas locais, incluindo alguns socialistas, que advogam que “em equipa que ganha não se mexe”, lema que é aplicado, de resto, aos dois candidatos. A excessiva partidarização na escolha dos candidatos às cinco CCDR e as negociações fechadas entre PS e PSD têm dominado as críticas dos autarcas no novo modelo de eleição, bem como o timing das mesmas, dado realizarem-se a um ano das autárquicas, eleições que vão implicar mudanças na correlação de forças políticas locais.

Nuno Rato, independente que preside à Assembleia Municipal de Estremoz e apoiante de Roberto Grilo, num post publicado no Facebook criticou o PS por estar a partidarizar as eleições, “relegando os interesses do Alentejo para segundo plano”.