PCP questiona Governo sobre Pediatria do Hospital de Évora

O Grupo Parlamentar do PCP questionou o Ministério da Saúde sobre a falta de médicos no serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo em Évora (HESE) e as implicações desta situação na prestação de cuidados de saúde pediátricos em toda a Região Alentejo, com especial preocupação para a possibilidade de deixar de ser assegurado o serviço de urgência pediátrica já em Setembro.

O PCP considera que é urgente a tomada de medidas imediatas que evitem o comprometimento das consultas, do internamento e do serviço de urgência pediátrica, o que obrigaria à deslocação de utentes e famílias do Alentejo para os hospitais da região de Lisboa, mas considera que é ainda mais importante que o problema de fundo – a falta de renovação e rejuvenescimento do corpo clínico do serviço de pediatria do HESE – seja efetivamente ultrapassado com a criação de condições para a fixação de profissionais e a sua integração nos quadros do HESE.

Sublinhando que a falta de médicos tem sido um dos maiores problemas que os serviços de saúde têm vindo a enfrentar ao longo dos anos no Alentejo, o PCP considera que as razões que dificultam a fixação dos médicos formados na Região ou a vinda de novos profissionais são inúmeras, com particular destaque para a falta de infraestruturas hospitalares modernas, de incentivos remuneratórios adequados e de condições para o desenvolvimento da carreira profissional de acordo com as expectativas dos profissionais.

O PCP alerta para que a falta de médicos – sobretudo de médicos mais jovens – tem como consequências diretas a sobrecarga de trabalho para aqueles que estão em funções, a dificuldade em assegurar o funcionamento da urgência (uma vez que a idade mais avançada dos médicos se torna um fator limitativo neste âmbito), a par de inevitáveis dificuldades no acesso aos cuidados de saúde por parte dos doentes e suas famílias.

A situação do serviço de Pediatria do HESE é exemplo disso. A redução do número de pediatras em funções ao longo dos anos tem vindo a criar grandes dificuldades no funcionamento do serviço, especialmente considerando a resposta que o HESE dá ao distrito de Évora mas também a toda a Região Alentejo, na qual assume o papel de hospital central.

Estas dificuldades só não têm tido mais graves consequências para os doentes porque os profissionais de saúde têm assegurado o funcionamento do serviço de pediatria – incluindo a urgência pediátrica – com grande sacrifício pessoal e assumindo a realização de trabalho extraordinário para além dos limites estabelecidos.

Há poucos anos – em 2018 – todos estes problemas foram sinalizados face à gravidade da situação que já então se verificava mas sobretudo com a preocupação que daí advinha para o futuro do serviço e da prestação de cuidados de saúde pediátricos na Região. A verdade é que, apesar das promessas que foram então feitas pelo Governo, a situação não se alterou e os problemas continuaram a acumular-se.

Neste momento, o número de médicos existentes apenas permite assegurar 7 turnos de 12 horas, o que significa metade dos períodos de urgência. Esta situação tem como consequência a redução da capacidade de prestação de cuidados de saúde pediátricos na Região, podendo comprometer o funcionamento da urgência pediátrica já a partir de Setembro, com a consequente necessidade de deslocação dos utentes e suas famílias para os hospitais da região de Lisboa.