BE alerta para situação de desemprego e empobrecimento no distrito

A Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Portalegre, reunida no sábado passado, dia 30 de maio, analisou a situação do desemprego, empobrecimento e exclusão social no distrito.

Em comunicado, a comissão apresenta a análise feita. O comunicado, para ler, na íntegra:

“1 – A crise de saúde pública, provocada pela pandemia de covid19 veio agravar a situação, já de si bastante difícil para a maioria da população do distrito. População envelhecida e com fracos recursos, tendo muito dificuldade para pagar as contas mensais.

Precaridade no emprego, os grandes empregadores do distrito usam e abusam dos contratados a prazo.

Prática de baixos salários, sendo ainda mais baixos para os trabalhadores precários. A falta de emprego cíclica, resultando na saída para os distritos do litoral e para o estrangeiro, principalmente de jovens, procurando aí as oportunidades que aqui lhe são negadas.

Microempresas vivendo de tesouraria do dia a dia, que soçobra à mais pequena perturbação.

2– O confinamento levou ao fecho de empresas e outros organismos, causando uma onda de desemprego. Paralisação do comércio e dos serviços, isolando ainda mais populações e pessoas. Os trabalhadores viram os seus salários reduzidos por acção do lay-off e em muitos casos pura e simplesmente deixou de existir o posto de trabalho. O lay-off foi usado e abusado, principalmente pelos grandes empregadores, o dinheiro demora a chegar aos trabalhadores necessitados. Centenas de trabalhadores ficaram desempregados. Cada vez há mais pessoas a recorrer ao banco alimentar, a fome é hoje uma realidade em muitos lares do distrito, principalmente dos idosos e de desempregados. Ao mesmo tempo aumentaram as dificuldades para pagar as contas da água, da luz, compre de medicamentos.

Na saúde, o combate à pandemia deitou para segundo plano os cuidados de saúde com as outras doenças. Exames médicos, consultas e intervenções cirúrgicas foram canceladas ou então adiadas.

O isolamento tornou-se maior, com a supressão de expressos que ligam as nossas localidades ao litoral. A entrega do correio e das encomendas são cada vez mais demoradas, fruto da política de redução de pessoal levada a cabo pela administração dos CTT.

O turismo, importante fonte de receita, está parado e levará tempo a retomar a actividade normal.

Muitas micro e pequenas empresas não tem condições de continuar a laborar, conduzindo ao desemprego os seus trabalhadores e proprietários. O programa ADAPTAR, 15.000€ por empresa financiado a 80%, para as microempresas se adaptarem, não resolve os problemas, tanto mais que terão custos elevados com os técnicos de contas, para elaboração do plano.

Os pequenos agricultores, não conseguem esgotar os seus produtos ficando sem recursos financeiros, situação que atinge outros profissionais liberais, advogados, solicitadores, artistas, etc.

Existem cerca de duzentos lares no nosso distrito, mostrando bem o envelhecimento da nossa população, a par disto há muitos idosos nas suas habitações necessitando de todo o tipo de apoio domiciliário e com grandes carências económicas.

As populações nómadas enfrentam também grandes dificuldades, resultante da falta de feiras e mercados, cancelados devido à epidemia.

3 – Exige-se uma resposta coordenada em defesa das populações e dos trabalhadores de forma a minorar as dificuldades, por parte do governo central e das Câmaras Municipais.

– Subsídios iguais ou superiores ao salário mínimo.

– Valor a receber de lay-off nunca inferior a 80% do salário pagos pelo governo e os restantes 20% pagos pelas entidades patronais.

– Garantir a subsistência a todos, através do aumento das reformas, principalmente das mais baixas e outros subsídios por parte do estado.

– Suspensão do pagamento da água luz e gás, bem como das taxas camarárias e rendas camarárias.

– Proibição de despedimentos e renovação automática dos contratos que caducarem neste período.

– Reintegração de todos os precários que foram despedidos no período da pandemia e respeito pelos direitos adquiridos.

– Apoio domiciliário aos mais carenciados e idosos.

4 – A Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Portalegre manifesta

– Como despedimento de 600 trabalhadores da Hutchinson no distrito, Portalegre e Campo Maior, exige-se intervenção imediata do governo e mobilização dos trabalhadores na defesa dos seus postos de trabalho e salário.

– Com entrega por parte da Câmara Municipal de Elvas da recolha do lixo a privados.A experiência demonstra que ficam a perder os trabalhadores e as populações.

– Com a supressão da paragem de passageiros em Elvas, na ligação ferroviária Évora-Caia. Ficando Badajoz com a paragem de passageiros, de mercadorias e com a plataforma logística

– A supressão ou diminuição das carreiras de expressos que ligam as localidades do nosso distrito aos grandes centros urbanos, impedindo a deslocação para quem necessita de ir a consultas, tratamentos e não tem meio de transporte próprio.

–  A falta de condições e meios com que as forças de segurança se deparam frequentemente: com instalações a necessitarem de obras, nas viaturas velhas a precisarem de manutenção e na falta de agentes.

5 – Saudamos a luta dos trabalhadores dos CTT e em especial dos trabalhadores do nosso distrito, em defesa dos seus postos de trabalho e condições de vida, denunciamos a situação de falta de pessoal e a sobrecarga de horas para o existente, levando á deterioração continuada do serviço prestado.”