Obra da ferrovia revolta proprietário expropriado

A Herdade dos Pedregais, na estrada que liga Elvas a Juromenha, foi expropriada há cerca de seis meses devido à preparação do terreno para a construção do novo troço ferroviário entre Alandroal e Elvas (linha Évora-Caia, ligação à Linha do Leste).

Um dos antigos proprietários do terreno demonstra-se descontente com o modo de atuação da empresa e perante uma situação que aconteceu esta manhã, viu-se obrigado a chamar a GNR ao local.

Pedro Trinidad explica que “ontem foi feita uma abertura de uma parte da propriedade expropriada para a passagem do comboio, diretamente para a estrada, onde detém pastagens com animais”. “A empresa iniciou o abate de árvores, posteriormente pedi que saíssem porque não fui informado, nem tenho que ser, porque fui expropriado mas tenho que fazer a gestão do que está a volta e ser informado porque tenho animais e pastagens, nomeadamente a água está de uma lado e os animais de outro, com esta intervenção os animais ficam sem água”, acrescenta Pedro.

Ao dia de ontem os trabalhadores retiraram-se, mas hoje voltaram a fazer o mesmo, com os animais na pastagem.

O antigo proprietário explica que não está com razão, porque podem fazê-lo, mas pediu que fosse até segunda feira, ao que anuíram. Pedro tem que “zelar pelos animais e pela pastagem que é sagrada”.

“Tudo era resolvido, como sempre foi, mas abriram a passagem”, onde tem os animais, e que dá acesso à estrada nacional, algo que considera “lamentável, uma vez que não foi feito qualquer telefonema a avisar da situação”.

“Todos os outros proprietários estão a fazer a mesma coisa mas como vivem nas suas propriedades não permite que isso aconteça, eu como não estou aqui quando cheguei estavam dentro do espaço deles mas que não tem qualquer vedação que é obrigatória fazer”, refere Pedro.

O descontentamento deste antigo proprietário prende-se com o modo de atuação da empresa e nunca da legitimidade, porque a têm, uma vez que o terreno é deles. Já “o modo de atuação é completamente impensável e anti-ética”. acrescenta Pedro.

De recordar que empreitada foi contratada ao consórcio Sacyr Somague, S.A. / Sacyr Infraestructuras, S.A., e na zona contempla a construção de um desnivelamento rodoviário.