O Efeito do Coronavírus nos Preços do Imobiliário em Portugal

Até recentemente, o mercado imobiliário em Portugal crescia a um ritmo galopante, impulsionado por uma procura turística ímpar juntamente com avultados investimentos de privados e grupos que viram nesta oportunidade o motor para obter uma rentabilidade extremamente apelativa.

Tanto para aqueles que viram rentabilizar propriedades no mercado de compra e venda como para os que viram o preço médio de arrendamento subir nos grandes centros urbanos, o crescimento do imobiliário em Portugal é certamente um case study de como o turismo desempenha um fator preponderante no crescimento de inúmeras atividades que dele advêm.

Porém, todas e quaisquer regras que até aqui se aplicavam foram, para todos os efeitos, suspensas.

Se por um lado as estatísticas iniciais indicam uma forte desaceleração do mercado de compra e venda em Março de 2020 juntamente com uma quebra acentuada no preço de arrendamento, é apenas expetável que os próximos meses venham a revelar uma forte quebra nos valores praticados até aqui.

Oportunidades Futuras

Em todas as crises, por muito profundas que sejam, surgem oportunidades que tendem a ser torná-las apetecíveis para aqueles que até aqui tinham ficado arredados das mesmas.

Quer vejamos o preço de compra e venda a cair para níveis mais acessível ou possamos esperar um mercado de arrendamento com um preço médio mais acessível nos centros urbanos, tudo dependerá da duração do clima de incerteza.

Com muitas instituições e economistas a preverem uma forte recuperação económica em 2021, poderá existir no entretanto uma janela de oportunidade para todos aqueles que tenham ainda a possibilidade de investir no mercado imobiliário nos próximos meses.

Para os que vivem fora dos grandes centros urbanos e turísticos (Lisboa, Porto, Faro), este cenário poderá oferecer um alívio considerável dos preços que vinham até então subindo até níveis incomportáveis para a maioria das famílias.

Limitações Futuras

Para já, as limitações ao investimento no mercado imobiliário devem-se prender com o cenário de incerteza com o qual o investidor se depara.

Para aqueles que estimam um investimento rentável na compra para alojamento de curta duração, estarão dependentes do fluxo de turismo conseguir recuperar os níveis de 2019, o que para já parece um cenário altamente improvável.

Se tudo indica que os próximos largos meses serão vividos num mundo e em economias que se movem a ritmos diferentes, com mais estritas regras sociais e distanciamento entre cidadãos, é também de assumir que muitos sectores de atividade refletirão essas limitações.

Como tal, é possível que o turismo surja, mas em menor número e com crescentes considerações a ter em conta para minimizar contágio.

Em suma, poderemos ter que viver meses em modo de gestão sem almejar lucros consideráveis ou, pelo menos, considerá-los numa medida em muito inferior ao que estávamos até aqui habituados.

Se por um lado esse cenário pode significar o afastamento de muitos investidores imobiliários no segmento do turismo, talvez venha a dar uma janela de oportunidade a muitas famílias que até aqui não tinham possibilidade de comprar ou arrendar casa.