Produção de azeite no Alentejo está no bom caminho

A produção de azeite na região Alentejo encontra-se numa boa fase, tendo já sido produzidos um milhão de quilos de azeite, resultantes de 8 mil toneladas de azeitona, segundo o Agrupamento de Produtores “Azeitonices”.

No entanto, o olival encontra-se numa “fase crítica devido aos preços praticados, considerados anormais, uma vez que os mesmos dependem, muitas vezes, de Espanha, que está sobre uma pressão enorme do mercado americano e das políticas de Donald Trump”. Desta forma, há negação de importação de azeite de origem espanhola, e esta pressão sobre os preços já influencia Portugal e Itália, o que impede que o azeite português saia do país para o mercado americano, como explica José Maria Falcão, do Agrupamento de Produtores de Azeite “Azeitonices”.

Antes o azeite tinha um valor de cerca de 3,20 euros, e neste momento está abaixo dos dois euros, o que para José Maria Falcão, “é muito abaixo do limiar de rentabilidade, e torna a atividade difícil”.

Outra das dificuldades da olivicultura prende-se com a falta de mão-de-obra: só este ano, “muitas toneladas de azeitona ficaram por colher, porque em pleno período de colheita tinham poucas pessoas a trabalhar”.

José Maria Falcão faz parte também do Agrupamento de produtores “Alentejanices”, que se dedica à produção de tomate e frutos secos.

José Maria Falcão explica que quanto à produção de tomate são o maior produtor de tomate no Alentejo, e o maior produtor de tomate biológico no país, com cerca de 500 hectares, com “uma qualidade excecional”. Contam ainda com 600/700 hectares de tomate convencional para as fábricas da região.

Quanto à produção de amêndoa, José Maria Falcão afirma que “esta é uma cultura bastante dinâmica na região, sendo que este Agrupamento de produtores criou um pátio de receção de calibragem, descapotamento, limpeza e secagem, com 500 hectares de amendoal, em Campo Maior, que ainda não estão todos em produção.”

José Maria Falcão afirma ainda que estas “são três culturas bem adaptadas ao clima da região Alentejo, mediterrânicas e que consomem pouca água”. Quanto ao olival, e ao contrário do que é dito, este “consome pouca água e é cada vez mais amigo do ambiente”, inclusive, os Olivais já contam com uma pegada de carbono extremamente positiva.”