“Cortar a Direito”: o novo álbum de Margarida Guerreiro

O espetáculo comemorativo do dia 8 de março, em Montemor-o-Novo, Dia do Município, de São João de Deus e Internacional da Mulher, este ano, tem como protagonista Margarida Guerreiro, que apresenta e lança neste dia, pelas 21.30 horas, no Cineteatro Curvo Semedo, o seu último álbum “Cortar a Direito”.

A fadista esteve esta tarde de terça-feira, dia 3, no Magazine de Informação e Música, na Rádio ELVAS, para falar deste trabalho e, se no espetáculo tinha como convidado especial Bruno Chaveiro, na sua vinda à rádio teve como convidado especial o seu pai, o também ele famoso Joaquim Guerreiro, mais conhecido por “Quim das Peles”, que deixou a sua crítica ao álbum.

Margarida Guerreiro nasceu em Montemor-o-Novo, onde cresceu a ouvir os sons do cante alentejano juntamente com os discos de Amália Rodrigues que, desde sempre, fizeram parte da escolha de seus pais. É a ouvir Amália que nasce a vontade de cantar. Aliás, este é, provavelmente, o sentimento que a torna diferente, a junção da sua raiz popular com o misticismo do fado.

Aos 11 anos, conheceu Manuel Justino Ferreira, poeta, guitarrista, homem da rádio e do teatro, que se enterneceu com a curiosidade de uma menina que ligou para um programa de rádio a fim de participar num concurso, acabando a cantar em direto “Ai Mouraria” de Amália Rodrigues. Foi o início de uma amizade e de uma cumplicidade de muitos anos, foi o dínamo para o que seria a sua vida, musicalmente falando.

Em 1991, estreou-se num dos concertos mais importantes da sua vida, fazendo a primeira parte do concerto de Amália Rodrigues, no Cineteatro Curvo Semedo, em Montemor-o-Novo, obtendo assim a bênção da Diva. Em 2003, foi editado o seu primeiro trabalho discográfico “Sal e Mel “(Ovação). Em 2007, lançou Encores FADO Live (Ovação), que vem na sequência de um projeto conjunto com Custódio Castelo, com o qual realizou inúmeros concertos, nomeadamente por Espanha, México, França, Eslováquia, Itália, Alemanha.

Desde que começou a cantar profissionalmente, Margarida Guerreiro atuou em
diversas partes do mundo, foi convidada para inúmeros concertos e festivais e fez parte de nove coletâneas a convite de vários produtores nacionais e internacionais. Em 2008 radicou-se em Itália, onde viveu vários anos, abraçando outras sonoridades, cruzando a sua voz com géneros tão diferentes como os ritmos de Quartaumentata, Scialaruga, a harpa de Giuliana de Donno ou o canto de Raffaello Simeone.

No período que viveu em Itália, Margarida criou com o percussionista e produtor Massimo Cusato o concerto “Margarida Guerreiro Project” (piano, acordeão, percussões e bateria, guitarra e contrabaixo), um concerto de fusão entre Portugal e Itália e o projeto “Luna Piena” (percussão, guitarra e voz) numa viagem intimista e de homenagem à MULHER (Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Mercedes Sosa, Edith Piaf, Violeta Parra, Mia Martini, Cesária Évora, Rosa Balistreri e Lhasa de Sela).
Depois de muitos a anos a viver em Itália, regressou a Portugal e levou algum
tempo até voltar a gravar, em 2019 entrou em estúdio e em 2020 nasce “Cortar a direito”.

Este “Cortar a direito” surge do encontro com o músico Bruno Chaveiro, também ele montemorense, e “da necessidade de partilhar emoções há muito guardadas”. Margarida desafiou o jovem instrumentista que em boa hora, aceitou. “Este disco significa o início de um novo percurso, um caminho diferente” de todos os que Margarida Guerreiro percorreu anteriormente.

Margarida destaca o tema “Porque me olhas assim” de Fausto Bordalo Dias, e
considera-o “uma das músicas da sua vida”. Com “Dio come ti Amo”, de Domenico Modugno, encontrou uma forma simbólica de homenagear Itália, o país que tão bem a acolheu. O primeiro single escolhido “Cortar a direito”, dá nome ao disco e a intensão é
clara, a artista quer que este disco signifique um corte a direito rumo ao futuro
sem, no entanto, renegar o passado.

Margarida afirma que “todos os temas deste disco fazem parte de mim, da minha história, do meu crescimento enquanto cantora e mulher. Tive a sorte de encontrar um produtor que soube chegar até mim, perceber o que eu pretendia e fazer um disco que reflete tudo aquilo que sou pessoal e profissionalmente. Foi um privilégio poder desenvolver este trabalho com aquele que considero ser o meu melhor amigo, Bruno Chaveiro”.