Falta de professores vai sentir-se nas escolas portuguesas

Nos últimos anos, a cada concurso nacional de professores, são milhares os candidatos que não têm conseguido assegurar um lugar nas escolas públicas, sendo que a maioria fica limitada a disputar os horários incompletos que vão surgindo ao longo do ano letivo.

Mas esta realidade parece estar prestes a mudar, com os sindicatos a alertar mesmo para o facto de, em menos de uma década, existir falta de professores no país.

“Muito poucos têm sido os diplomados em Educação Básica a sair do Ensino Superior”, revela Albano Silva, presidente do Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), adiantando ser necessário agora “fazer crescer estes cursos, para colmatar as aposentações de professores previstas para os próximos dez anos”.

“O curso de Educação Básica tem sido pouco escolhido pelos alunos, porque, de facto, há um grande desprestígio da profissão e havia desemprego, mas não é o que vai existir nos próximos dez anos”, revela Albano Silva. O presidente do IPP garante ainda que vão ser “precisos muitos professores”, pelo que é imperativo “dizer aos alunos do ensino secundário que ser professor, dentro de quatro anos, é possível”.

Também a diretora do Agrupamento de Escolas nº 3 de Elvas, Fátima Pinto, lembra que a bolsa de recrutamento não tem, atualmente, professores, sendo este, no seu entender, o maior problema que o ensino português enfrenta. “Os alunos ou querem ir para Gestão, Engenharia, Direito ou Medicina, e, se tanto, de dois em dois anos, pode haver um que quer ir para professor”, revela.

A “desvalorização da classe”, com a possibilidade de profissionais de outras áreas “darem umas aulas, como acontecia há alguns anos”, é outro dos problemas apontadas por Fátima Pinto. “Dar umas aulas não é ser professor”, garante.

A questão da colocação de professores é também apontada pela diretora do agrupamento como um dos fatores que afastou os estudantes dos cursos de ensino. “O professor não tem garantia, mesmo tendo lugar este ano, que no ano seguinte, vá ter lugar no mesmo sítio”, recorda. “Deve haver uma estabilidade, mas essa estabilidade não se tem verificado”, remata.

De acordo com o Conselho Nacional de Educação, a falta de professores pode agravar-se num futuro próximo, tendo em conta que o número de alunos inscritos nas áreas de formação para docência caiu para metade nos últimos cinco anos.

Mais de metade dos professores do quadro pode aposentar-se até 2030. Os números mostram ainda que, entre os docentes, metade tem 50 ou mais anos e apenas um por cento se situam abaixo dos 35.