Comendador António Cachola na Rádio ELVAS

O comendador António Cachola inaugurou, no sábado, passado, dia 18, uma nova exposição com obras da sua coleção, reunidas entre 2012 e 2020, no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE). O colecionador esteve hoje no Magazine de Informação, na Rádio ELVAS, onde foi entrevistado.

O colecionismo, para António Cachola, “é um gosto que vem de há muitos anos, e um dos fatores decisivos para este colecionismo de arte contemporânea, foram os Encontros Ibéricos de Arte Moderna (EIAM), na década de 1980, que aconteceram em Campo Maior”.

Na altura, o comendador António Cachola já vivia em Campo Maior e os EIAM marcaram-no “de forma especial, devido à proximidade com as obras dos artistas, tendo sido este “o ponto de partida pelo interesse por artistas e pelas suas obras”. Esta foi uma “década muito especial ao que à arte contemporânea diz respeito, porque em Portugal havia uma desertificação de arte contemporânea”, nesta altura, afirma o Comendador.

Em 1999 foi quando a sua coleção faz a sua apresentação pública no MEIAC (Museu Estremenho e Iberoamericano de Arte Contemporânea) em Badajoz. Uma exposição com arte contemporânea portuguesa, uma vez que Espanha no geral, e Badajoz, em particular, “era um local muito importante no que diz respeito à arte contemporânea” e “este foi um estímulo para fazer uma coleção e apresenta-la ao público”.

No ano de 2001, foi assinado protocolo com o governo com a presença do primeiro-ministro da altura, António Guterres, para a constituição do MACE e, em 2007, foi inaugurado o museu, em Elvas. António Cachola afirma que está “muito satisfeito com este projeto” e, “se no início existissem dúvidas, neste momento, os elvenses também estão satisfeitos” e acrescenta que este museu “é uma referência, a nível nacional.”

António Cachola considera o MACE “é uma vitória e um exemplo fundamental”, uma vez que, “enquanto seres humanos, temos a capacidade de transformar periferias em centros urbanos e este museu vem acrescentar valor e uma maior oferta cultural, relativamente às artes visuais, na cidade”.

A dinâmica de colecionar está associada ao facto de disponibilizar as suas obras, “para que existam críticas e juízos de valor e é isso que estimula a continuar fazer a coleção, uma vez que a aquisição só termina depois de a mesma ser exposta”, para o Comendador, as exposições “só fazem sentido se estiverem disponíveis para as pessoas, não são para estarem guardadas”.

O colecionador afirma que a aquisição de obras “é fundamental, porque é um processo atento à produção artística e desta forma percebe como o trabalho dos artistas é importante e decisivo para alargar a coleção”, afirmando que adquire peças apenas “a artistas portugueses, sendo este um contributo do colecionador para promover a arte contemporânea portuguesa”.

A sua coleção esteve durante um ano no Palácio de São Bento, em Lisboa, e o Comendador referiu que lhe foi transmitido pelo primeiro ministro e também pelo Presidente da República que “todas as pessoas que visitavam a exposição ficavam deslumbradas com a mesma e existiram comentários muitos  positivos”, o que “deve ser um motivo de orgulho e honra para todos os elvenses.”

A exposição inaugurada no passado sábado, dia 18, é, para o comendador, uma “exposição muito interessante”, que foi inaugurada pelo presidente da Região de Turismo Alentejo/Ribatejo, António Ceia da Silva, e pela diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, uma vez que, para António Cachola, “a cultura e turismo estão de mãos dadas e o MACE é uma instituição que deve contribuir para o cruzamento destas duas áreas no Alentejo”.

As obras da coleção António Cachola são cerca de 850, na sua totalidade, em vários suportes das artes visuais, e “a coleção vale por um todo, pelo conjunto, uma vez que as mesmas vivem em simbiose, e só fazem sentido conjugadas entre elas e não como peças isoladas”.

Quando questionado sobre qual seria a sua peça favorita, o comendador António Cachola afirma que não consegue responder, porque pensa “na peça que ainda não está na coleção” e termina dizendo que “as peças mais especiais são aquelas que ainda não estão na coleção, mas que gostaria que estivessem”.