Reprovar até ao 9.º ano pode acabar

É intenção do Governo que deixem de existir reprovações até ao nono ano de escolaridade.

O assunto tem sido muito debatido em Assembleia da República, com algumas cores partidárias a achar que esta é uma medida que visa, apenas, a poupança de dinheiro. O fim das reprovações até à conclusão do terceiro ciclo de ensino iria permitir um encaixe financeiro de 250 milhões de euros ao Governo, sendo este o valor que o Estado gasta, por ano, com o “chumbo” de cerca de 50 mil alunos.

Por outro lado, há quem considere esta uma medida que irá acabar por premiar os alunos que não se esforçam e não estudam.

Ao nível da realidade das escolas, explica a professora e coordenadora da Escola Básica do 1.º Ciclo de Santa Luzia, em Elvas, Cristina Matos, durante os três ciclos, procura-se que os alunos, caso não consigam acompanhar em pleno o currículo escolar de um ano letivo, o possam alcançar no seguinte. “A ideia é que estes três ciclos são a base para os alunos evoluírem e aquilo que não conseguirem num ano, consigam em dois”, explica.

“O reprovar, em algumas situações, irá penalizar as crianças que não conseguiram [alcançar os objetivos] naquele espaço de tempo”, adianta a professora. Cristina Matos, contudo, revela que “continuará a haver reprovações”, porque “haverá situações em que não poderá ser de outra forma”.

O programa do Governo, conhecido no final de outubro de 2019, segundo o Conselho Nacional de Educação, prevê a criação de um “plano de não-retenção no ensino básico, trabalhando de forma intensiva e diferenciada com os alunos que revelam mais dificuldades”.