Formação sobre autismo em crianças em Campo Maior

O Centro de Ciência do Café (CCC) vai receber, entre dia 30 de janeiro e 1 de fevereiro, um curso de formação sobre perturbações da relação e da comunicação em crianças com o espectro do autismo, com base num novo modelo, designado de D.I.R. Floortime, que está a ser desenvolvido pela Associação de Apoio à Unidade de Primeira infância do Departamento de Saúde Mental do Hospital de D. Estefânia, em Lisboa.

Este curso é uma organização da Equipa Local de Intervenção precoce, que incide em problemas de desenvolvimento global com crianças até aos seis anos, e também o Serviço de Apoio a Crianças e jovens, entre idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos, da Associação Coração Delta.

Magda Barrocas, psicóloga na Equipa Local de intervenção precoce de Campo Maior, Arronches e Monforte,  afirma que esta formação faz parte do plano de atividades da equipa, uma vez que “sentiram necessidade de dar uma melhor resposta e com mais qualidade às crianças e jovens que acompanham, uma vez que tem havido um acréscimo de referenciações de crianças com espectro do autismo.”

a psicóloga teve um pequeno estágio no Hospital de D. Estefânia, que utiliza com estas crianças o modelo D.I.R. Floortime, um modelo que nasceu nos anos 90 dos EUA e que é usado em crianças com perturbação da relação e da comunicação, até aos três anos. Neste sentido, Magda Barrocas refere que o mesmo se “enquadra na filosofia da intervenção precoce, dando primazia ao desenvolvimento de cada criança e aos relacionamentos, bem como o envolvimento da família”. A psicóloga adianta que este modelo prevê, através “do brincar que o técnico acompanhe a criança e desenvolva nos seus interesses, como que uma sombra, sendo um método não diretivo e que se envolve nos interesses da própria criança.”

A formação destina-se a Equipas Locais de Intervenção, a técnicos da Associação Coração Delta, às Escolas que são parceiros destas equipas, bem como os familiares, “num espaço de partilha de preocupações e crescimento”.

A formação conta com um programa diário que tem início às 9 horas e termina às 18.30 horas. Do painel faz parte o formador Pedro Caldeira do Hospital da Estefânia e a sua equipa técnica, sendo que “o primeiro dia é dedicado à caracterização das perturbações, e sobre os princípios deste modelo”, no segundo dia, “as terapeutas vão aprofundar a questão sensorial no autismo, a forma como estas crianças fazem as avaliações da informação que lhes chega”, e o terceiro dia é dedicado “a uma parte prática com discussão de casos clínicos e as questões da linguagem e comunicação, e articulação com as famílias e escolas”.