Comandante e 2º Comandante dos Bombeiros de Elvas de costas voltadas

Paulo Moreiras (na foto), 2º comandante dos Bombeiros Voluntário de Elvas, redigiu uma carta, que foi esta semana tornada pública, onde aponta alguns aspetos menos bons do funcionamento da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas.

Moreiras, natural de Torre de Moncorvo, na região de Trás os Montes e Alto Douro, é bombeiro desde 2004 e em 2014 foi convidado pelo atual comandante da corporação para exercer as funções de segundo comandante.

Recentemente, e tal como o próprio nos referiu, viu-se a braços com “ataques pessoais e profissionais” que, segundo o próprio, “colocam em causa a sua idoneidade e capacidade técnica para dar formação aos elementos da corporação elvense”.

Paulo Moreiras explica no documento que chegou à redação da Rádio ELVAS  e que pode ler na íntegra no final deste artigo, que, “em dezembro de 2019, recebeu a informação de que a sua comissão enquanto 2º comandante não seria renovada”. Moreiras recorreu dessa decisão e “ganhou mantendo ainda essas funções”. Agora, garante à Rádio ELVAS que “não pretende, de forma alguma, atacar diretamente as pessoas” mas sim defender-se.

O ainda 2º comandante garante que “apesar da renovação da comissão para mais cinco anos, quando a situação da direção e assembleia da associação humanitária estiver resolvida apresentará a sua demissão”.

A Rádio ELVAS, no direto da manhã de hoje, sexta-feira, dia 17, realizado a partir do quartel dos Bombeiros de Elvas, questionou Tiago Bugio (na foto à direita), comandante dos Bombeiros Voluntários de Elvas, sobre esta questão. O mesmo referiu-nos que está “no corpo de bombeiros para construir e não para destruir”, preferindo “não comentar o assunto”.

De recordar que esta não é a primeira polémica a envolver a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas uma vez que, em agosto de 2019, a direção foi destituída encontrando-se os destinos da associação a serem dirigidos por uma Comissão Administrativa (ver aqui).

Carta redigida por Paulo Moreiras:

Exmo. Sr. Comandante do Corpo dos Bombeiros Voluntários de Elvas

Exma. Comissão Administrativa da AHBV Elvas

Exmo. Corpo de Bombeiros Voluntários de Elvas

Exmos. Sócios da AHBV Elvas P

aulo Fernando dos Santos Moreiras com o numero mecanográfico 4040108, vem por esta forma e na qualidade de BOMBEIRO da Corporação levar ao conhecimento de V. Exas, o seguinte:

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Em dezembro de 2014, foi o signatário nomeado para a função de 2º comandante, por proposta do então e atual comandante, Tiago Bugio, que mereceu acolhimento e aprovação da, à data, Direção Administrativa desta Associação Humanitária e por um período de cinco anos.

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Em dezembro pp, viu-se confrontado com a possível não renovação da sua nomeação pela Comissão Administrativa, que agora dirige os destinos desta Associação, a qual surgiu não sabe bem como, de onde e em que termos.

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Tal facto só não se veio a concretizar, não obstante alguns atropelos à legalidade em que assentam os pressupostos do funcionamento das AHBV e, mais concretamente, do Corpo dos Bombeiro Voluntários de Elvas, em virtude do recurso por si apresentado, sendo então mandatado por mais 5 anos, como 2º comandante deste Corpo de Bombeiros Voluntários de Elvas.

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Importa aqui referir, que ao redigir o presente, não pretende o signatário direcionar ataques pessoais a quem quer que seja, mas que tem essencialmente a ver com a defesa do seu bom nome, da sua honra e seu profissionalismo.

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Nos últimos tempos, vive-se um clima relacional dentro do seio dos Bombeiros Voluntários de Elvas, nada condizente com aquela casa que, pode afirmar-se, atingiu um patamar de excelência, estando ao nível do que melhor existia na região e até no próprio país. Vê-se agora mergulhada num clima de “guerra toxica” de ataques pessoais e atropelos de toda a espécie, para já não falar da sua suposta legalidade.

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Em meados de agosto pp, regressado de férias, vê-se o signatário confrontado com uma “pseudodestituição” da direção administrativa, que até hoje ainda não compreende a sua viabilidade e legalidade à luz dos atuais estatutos desta associação já que como refere o art.º 37º alínea b) dos Estatutos, “cabe à Assembleia Geral por votação secreta, eleger e DESTITUIR os membros da Assembleia-Geral, da DIREÇÃO e do Conselho Fiscal”.

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Depara-se ainda com um suposto abaixo assinado, subscrito pela maioria dos bombeiros a reclamar uma série de fatos que visavam claramente criar uma situação que levasse à destituição da direção, documento este, supostamente, dado a assinar aos elementos do corpo de Bombeiros pelo seu comandante. Mais grave ainda! E pergunta-se: como é possível um elemento ANALFABETO assinar o referido abaixo assinado? A não ser com a aposição da impressão digital, só mesmo em algum programa de humor na televisão.

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Tem ainda, conhecimento de um comunicado que saiu para os órgão de comunicação social, em que, entre outras coisas, é referido que determinada pessoa se viu forçada a tomar uma posição pois das suas visitas regulares ao corpo de Bombeiros, denotou um mau estar muito grande e que era impossível permitir a sua continuação, referira-se que a pessoa em causa em cerca de dois meses apenas por uma única vez esteve no quartel. 2

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Existia ainda uma suposta lista de despedimento de elementos, a qual em reunião dentro daquele quartel, foi veemente desmentida por alguns elementos da já referida comissão administrativa, mas o que é certo, é que um dos elementos constantes dessa suposta falsa lista, recebeu passados alguns dias um documento na sua residência a informar da não renovação do seu contrato.

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São estas questões administrativas que deixam incrédulo o signatário, contudo, talvez não sejam assim tão estranhas dado o grau de parentesco existente entre pessoas da área administrativa e da área operacional.

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Dir-se-á que um elemento de comando nada terá que ver com questões administrativas, pois não, mas sendo este objeto de um ato de coação porque, supostamente, não forneceu uma password da página da rede social Facebook dos Bombeiros de Elvas, que ele próprio não possui e que até foi criada por um elemento da comissão.

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Porém mais grave ainda, e é na verdade a gota de água para a elaboração do presente documento, o fato de ser totalmente INADMISSIVEL que seja o signatário acusado de deliberadamente destruir património da Associação, mais concretamente um veículo de comando, sendo ainda inadmissível que ponham em causa a sua capacidade técnica enquanto operacional, enquanto formador credenciado por várias entidades de âmbito NACIONAL, enquanto elemento de comando com provas dadas ao longo de 5 anos, e que agora digam não contribuir para o crescimento da corporação elvense. “Orgulho-me de saber ser, estar e fazer!!!” É ainda, acusado de ser um elemento desestabilizador dentro do corpo ativo e comando! Sim, até pode ser, pois não pode pactuar com supostos, ilícitos perpetuados.

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Poucas seriam as palavras para descrever todas as “atrocidades” cometidas e que hoje em dia continuam. Vem aqui à memória uma frase de alguém muito querido, que já não está entre nós, e que sempre será uma referência na postura e na frontalidade: “Se neste barco não remarmos todos no mesmo sentido não sairemos do sítio”. Sábias palavras. Exige-se o deixar as exuberâncias e atropelos e fazer aquilo para o que somos razão de existir.

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Pelo acima exposto e importa aqui referir, que a confiança do signatário no seu comandante está fora de questão, mas que em termos operacionais tudo continuará a fazer para garantir a saúde e segurança daqueles que nos propusemos servir. São 15 anos de dedicação a esta causa, tendo recusado inclusivamente um convite para comandar outra corporação por considerar prioritário o compromisso assumido com esta associação, com estes homens e mulheres, e que a lealdade para com todos eles assim o ditou. Aquele que decide ser bombeiro já sabe que vem para dar a vida sem nada pedir em troca, porém ataques que coloquem o seu profissionalismo e a própria pessoa em causa não são admissíveis.

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É intenção do signatário apresentar a sua demissão do cargo que desempenha, logo que seja reposta a legalidade de quem gere e comanda.

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Os estatutos determinam que a comissão administrativa deverá ter a duração preferencial máxima de 6 meses, não devendo, por isso, ficar escondida atrás de uma auditoria que certamente terá um custo superior ao dos motores das três ambulâncias que estão paradas há alguns meses com necessidade urgente de reparação, e que tanta falta fazem para a atividade da corporação. 3

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Mas o importante mesmo é que na quadra natalícia houvesse bacalhau e refere-se que pelo menos os cabazes de natal correspondentes ao signatário certamente foram usados por quem mais deles necessitava.

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Por tudo o já referido e apesar de nestes últimos quatro/cinco meses quase diariamente lhe serem retiradas funções, que configuram até alguma ilegalidade, com vista a que o signatário seja vencido pelo cansaço, é sua intenção manter-se em funções e desempenhar aquilo que legalmente lhe é confiado e que ainda não lhe foi retirado.

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Por fim, importa referir que se dúvidas existirem quanto a algo aqui descrito neste texto poderá ser sempre comprovado documentalmente e, que de todos estes assuntos aqui referidos, muito provavelmente não são mais que a ponta do icebergue.

Elvas, 13 de janeiro de 2020

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Paulo Moreiras ( Bombeiro)