Moradores da Calçadinha desesperam com inundações quando chove

Um conjunto de moradores da Calçadinha (nos arredores de Elvas) afirma que, quando chove, as suas casas se enchem de água e, alegadamente, causam estragos nas suas mobílias e eletrodomésticos.

Os prejuízos, segundo os moradores, são avultados e a solução para este problema parece estar difícil de encontrar.

Na origem da situação, segundo os moradores, estará o desnivelamento das valetas da rua, que, de um lado, se encontram praticamente ao nível da estrada, impedindo, dessa forma, o escoamento da água pluviais.

Maria da Conceição Correia, uma das queixosas, disse à Rádio ELVAS que o problema é antigo e que até agora, apesar das promessas, nada foi feito por parte da câmara ou da junta de freguesia. “A água é muita, não dá vazão de um lado, nem de outro, e entra para dentro das casas: da minha, da minha vizinha e por aí a cima”, revela. “Estamos fartos de reclamar, mas não fazem nada”, disse, desolada, à nossa reportagem.

A tornar ainda mais complexa a situação, o proprietário de uma quinta, junto à casa de Maria da Conceição, decidiu, alegadamente, colocar um conjunto de pedras a impedir a passagem das águas para um ribeiro que atravessa essa mesma quinta. “É propriedade de outra pessoa e não podemos entrar para tirar as pedras”, diz Maria da Conceição, que se mostra revoltada, uma vez que, sempre que chove, fica, tal como os vizinhos que moram ao lado, “com o coração apertado”. “Não dormimos descansados, nem saímos para lado nenhum, porque temos sempre medo de chegar e ter a casa cheia de água”, acrescenta.

Maria da Conceição revela que já foram feitos vários pedidos à junta de freguesia e à Câmara de Elvas, no sentido de tentar resolver esta situação. Contudo, adianta, tem-lhe sido dito que não há como solucionar o problema. “Já cá vieram os fiscais, mas ficou por aí”, adianta, garantindo que antigamente, a valeta, que se encontrava aberta, foi fechada, devido aos acidentes automóveis que ali aconteciam. “Os carros não podem cair para a valeta, mas nós podemos ficar com as casas cheias de água”, questiona-se.

Entretanto, e porque Maria da Conceição, em tempos, partiu um pé ao entrar para casa, devido às irregularidades do piso, o marido decidiu instalar duas lajetas em mármore à frente da porta. Estas lajetas, instaladas pelos proprietários, entre a estrada e a soleira da porta, de acordo com o vice-presidente da Câmara de Elvas, Cláudio Carapuça, “são as principais responsáveis pela entrada de água na habitação”.

“O problema, na altura, é que tinham duas lajetas que põem a água ao nível da soleira da casa e essas pedras não foi a Câmara que lá as colocou”, assegura Cláudio Carapuça. O vice-presidente diz ainda que apenas a queixa de Maria da Conceição Correia chegou à autarquia, pelo que, se há mais queixas, as mesmas devem ser dirigidas ao município.

“Não ponho em causa que a capacidade de escoamento da sarjeta seja diminuta, mas isso depende da pluviosidade e do escoamento da linha de água”, acrescenta Cláudio Carapuça. O vice-presidente assegura ainda que, se a linha de água está obstruída, num terreno particular, aquilo que pode fazer é, através da fiscalização, verificar a situação. Contudo, Cláudio Carapuça garante que Maria da Conceição não voltou a reclamar, sendo a única queixa que lhe chegou, “há sensivelmente um ano”.

Para além de Maria da Conceição e o marido, também Júlia Garção, que vive mesmo ao lado do casal, se queixa que, mal chove, a sua casa fica totalmente inundada. “É água a entrar de um lado e a sair do outro, corre as casas todas e ficam os móveis todos podres por baixo”, revela.

“Pedimos ajuda à junta, à câmara, a quem tenha o senso de nos ajudar”, diz Júlia. “Não podemos viver assim, porque pagamos rendas, IMI e essas coisas”, remata.