Entrevista Rádio ELVAS: “Mocinha não é um bom líder”, defende Rondão Almeida

Rondão Almeida, antigo presidente da Câmara de Elvas e atual vereador da oposição, eleito pelo Movimento Cívico por Elvas, em entrevista exclusiva à Rádio ELVAS, defende que Nuno Mocinha “não é um bom líder”.

Para Rondão, Mocinha, ao longo destes anos, tem vindo a ganhar a liderança na relação com outras instituições, a nível do Governo, mas perdido o controlo da execução no município.

“A estrutura está a funcionar tal e qual como eu propus a Mocinha e começámos os dois trabalhar, ou seja, tudo aquilo que era a relação direta com as juntas de freguesia, com o movimento associativo, era da responsabilidade do Rondão e hoje é do vice-presidente, Cláudio Carapuça”, diz ainda.

Rondão Almeida assegura que Mocinha não valoriza o dinheiro e que, um dos maiores erros que o atual presidente da Câmara de Elvas cometeu foi querer alterar muitas das medidas que tinha implementado. Exemplo disso são os regulamentos sociais, tendo passado, entre outros, a atribuir cheques em vez de refeições às famílias carenciadas. “Isto dá um arrombo no orçamento extremamente brutal e depois, para tentar se equilibrar estes arrombos, vai-se aos impostos”, assegura.

Rondão garante ter deixado, nos cofres da Câmara de Elvas, 12 milhões de euros, pelo que a sua gestão e a de Nuno Mocinha são “completamente diferentes”. Quanto às despesas, com encargos, que deixou, por exemplo com o Forte da Graça, Rondão lembra que, nos dias de hoje não se faz uma “gestão para o dia de amanhã”, mas sim “a pensar a médio e longo prazo”.

Rondão Almeida assegura ainda que trabalha apenas por “amor à camisola”, não ganhando nada enquanto vereador da Câmara de Elvas. Chegou até a estar sem receber a sua reforma.

Quando questionado sobre a possibilidade de se candidatar, em 2021, à presidência da Câmara de Elvas, o vereador começa por dizer que existem personalidades capazes de substituir Nuno Mocinha, tanto dentro do PS, como do Movimento Cívico. Contudo, acaba por confessar que pode vir mesmo candidatar-se às próximas autárquicas.

Já sobre a passagem de Sérgio Ventura, eleito pelo Movimento Cívico por Elvas, para o lado de Nuno Mocinha, no decorrer do atual mandato, Rondão Almeida é categórico: fê-lo para resolver a sua vida profissional, algo que o antigo presidente de câmara critica.

Relativamente aos roubos e assaltos que têm assombrado Elvas, nos últimos tempos, Rondão Almeida acusa a autarquia e as forças de segurança de não enfrentarem os problemas, estabelecendo um paralelo com que acontece em Campo Maior. Rondão elogia Ricardo Pinheiro, presidente da Câmara de Campo Maior, que, perante situação semelhante, decide reunir com a população e as autoridades, no sentido de tentar resolver, em conjunto, o problema. Em Elvas, garante Rondão, faz-se “como a avestruz, que enterra a cabeça na areia”.

Estes foram apenas alguns dos temas em análise numa entrevista conduzida por António Ferreira Góis. Toda a entrevista para ouvir aqui: