Celebra-se hoje o Dia Internacional do Livro Infantil

O cartaz português é sempre da autoria do ilustrador vencedor do Prémio Nacional de Ilustração

Celebra-se hoje, terça-feira 2 de abril, o Dia Internacional do Livro Infantil. Todos os anos, neste dia, é divulgada, pelo Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens, uma mensagem de incentivo à leitura, que pode ler abaixo, da autoria de um escritor de nacionalidade diferente, que é depois traduzida e divulgada nos países que integram o conselho.

Os livros convidam a uma pausa

“Tenho pressa! … Não tenho tempo!… Adeus!…” Eis aqui expressões que ouvimos
quase todos os dias, provavelmente não apenas na Lituânia, no coração da Europa, mas
um pouco por todo o mundo. E também com frequência se ouve dizer que vivemos
numa época de excesso de informação, de pressa, de aceleração.
Mas quando pegamos num livro, sentimo-nos logo diferentes. É como se os livros
tivessem uma característica maravilhosa: ajudam-nos a relaxar. Abrimos um livro,
mergulhamos nas suas profundezas tranquilas, e esquecemos o medo de que tudo passe
ao nosso lado a uma velocidade vertiginosa, não nos permitindo ver o que quer que
seja. O livro faz-nos acreditar que podemos abandonar as tarefas aparentemente
urgentes. Nele, tudo se passa calma e silenciosamente, segundo uma ordem predefinida. Será porque as suas páginas são numeradas, e porque o virar das folhas, uma
após outra, produz um murmúrio tão calmo, tão leve? Num livro, aquilo que é já
passado encontra-se docemente com o que está ainda por chegar.
O mundo do livro é um mundo aberto; nele, a realidade convive com a fantasia e com
a imaginação. E às vezes não sabemos bem onde observámos – se no livro, se na vida –
a beleza dos pingos de neve que escorrem do telhado da casa, ou do musgo que cobre
a cerca do vizinho. Terá sido no livro ou na vida que provámos as bagas silvestres e
percebemos que, apesar de bonitas, são igualmente amargas? E foi no livro ou na vida
que um dia te deitaste na relva, ou te sentaste depois, de pernas cruzadas,
contemplando o movimento das nuvens que atravessam o céu?
Os livros ensinam-nos a abrandar, ensinam-nos a observar; os livros convidam-nos,
obrigam-nos quase a estar sentados. Sentamo-nos para ler um livro, poisamo-lo numa
mesa ou nos joelhos – é ou não assim?!
E será que nunca sentiram outro milagre? É que quando leem um livro, ele também vos
lê. Sim, os livros também sabem ler. Leem a vossa testa, as sobrancelhas, os cantos
dos lábios, que sobem, que descem, mas sobretudo, claro, leem os vossos olhos. E
através dos olhos, eles veem… bem, todos sabemos o que eles veem!
Tenho a certeza de que os livros poisados nos vossos joelhos não se aborrecem nem um
minuto. É que quem lê – seja criança ou adulto -, é só por isso muito mais interessante
do que aquele que resiste a pegar num livro, que está sempre com pressa e nunca se
senta, e jamais tem tempo de observar seja o que for à sua volta.
No Dia Internacional do Livro Infantil, o meu maior desejo é que existam livros
interessantes para os leitores – e leitores interessantes para os livros.

Kęstutis Kasparavičius
(Trad. Maria Carlos Loureiro)