Guia de visita a Elvas

Elvas Cidade-Quartel

Os primeiros habitantes chamaram-lhe Ialbax e os árabes al-Bash, até que o rei Afonso Henriques a conquistou para os cristãos em 1.166. Preciosa para os muçulmanos foi recuperada por estes e só em 1.229, D.Sancho II, a adicionou ao reino de Portugal.
A Praça Forte Militar de Elvas assistiu a Batalhas e Guerras peninsulares, transformando-se na  chave do reino, fortaleza reconhecida pela Unesco desde 2012, na lista do Património Mundial  como “Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e as suas Fortificações”.
O património riquíssimo de Elvas inclui uma muralha que circunda toda a cidade, num total de mais de oito quilómetros, construída sob a técnica de fortificação abaluartada. A norte e a sul tem dois fortes que a protegiam dos ataques inimigos, juntamente com alguns fortins hoje em ruínas e ainda um majestoso aqueduto.
Para uma visita de fim-de-semana, aconselhamos roupa e calçado adequado para os cinco passeios que o farão desfrutar de um passeio entre as paredes que assistiram a alguns do episódios mais importantes da historia e independência de Portugal.

No centro da cidade, a Praça da República é o melhor ponto de partida para o primeiro circuito. Recolha o mapa da cidade no Posto de Turismo para melhor seguir o percurso e faça todas as perguntas que achar convenientes sobre a cidade. Na ampla praça pode ver os antigos passos do concelho, hoje casa da Cultura com as suas arcadas medievais, no edifício contiguo ao Posto de Turismo. Ao atravessar a praça terá no topo norte a antiga Sé, Igreja de Nossa Senhora da Assunção, a maior igreja de Elvas e monumento nacional, construída por Francisco de Arruda. Albergou a diocese de 1.570 a 1.881 data da sua extinção e possui um majestoso órgão em talha dourada e vários altares em mármore de Estremoz.
Na rua dos Açougues está aquela que poderá ser a maior Sinagoga da Península Ibérica. A cidade albergou importante comunidade judaica até à expulsão de Portugal. Como se encontra em recuperação, recomenda-se que faça o pedido de acesso no Posto de Turismo.
A Igreja dos Terceiros espera por si, uns metros abaixo, numa zona onde ficará surpreendido pela presença do Cemitério dos Ingleses, local onde jazem militares britânicos caídos em combate nas Invasões Francesas, com destaque para a Batalha de la Albuera, a cerca de 40 km de Elvas, em 1.811.
Junto ao cemitério encontra-se a Capela de São João da Corujeira, recuperada pelo Município, com o apoio dos Amigos do Cemitério dos Ingleses, precisamente cidadãos britânicos que residem na região e que organizam recolhas de fundos para a manutenção do espaço.
Suba pela rua dos Quartéis da Corujeira até ao Arco do Mirandeiro, imponente porta de entrada na antiga muralha que dá acesso à Alcaçova e ao Castelo de Elvas, também monumento nacional.
Entre no Castelo e percorra toda a muralha, a vista é soberba e perceba a inspiração do cantor elvense Paco Bandeira quando cantava “Oh Elvas, Oh Elvas, Badajoz à Vista”, já que é do castelo elvense que melhor se vislumbra a vizinha cidade espanhola.
Termine este percurso passando pelo Pelourinho sinal de autoridade e exposição, chega a Elvas no séc. XVI, sendo erigido na então denominada Praça Nova (hoje Praça da República), à entrada da Rua dos Sapateiros. Foi demolido, mais tarde reconstruido e colocado no Largo Dr. Santa Clara, junto da porta de Alcaçova e da Porta da Cerca Moura e da Igreja das Dominicas.
Igreja das Dominicas ou Igreja de Nossa Senhora da Consolação foi eregida no local de uma antiga ermida dos Templários dedicada a Maria Madalena, cuja forma octogonal recorda a Igreja do Convento de Cristo, em Tomar. Esta é uma das mais de 20 igrejas da cidade e esta vale mesmo a pena ser visitada.
Por esta altura, se descer a rua da Porta do Sol regressa à Praça da República e encerra o primeiro circuito.
O segundo circuito deve ser começado na zona do antigo Quartel do Trem, hoje o edifício da Escola Superior Agrária, na Avenida 14 de Janeiro. Suba pela lateral junto ao Paiol de Nossa Senhora da Conceição,  construído aquando das guerras da Restauração, sob a traça do arquiteto holandês Cosmander. É um  edifício circular com um raio de 7,26 metros.
Sob as Portas da Esquina, na muralha seiscentista ergue-se a Capela Nossa Senhora da Conceição, onde o escudo do Rei de Portugal ainda se pode ver na sua lateral.
Percorrendo o espaço superior da muralha pode ver a cidade à esquerda, as muralhas e o fosso e no miradouro alcançará a vista do Aqueduto da Amoreira que trazia água à cidade.
Se voltar na direção das Portas da Esquina e atravessar a muralha vai poder ver de perto a muralhas abaluartadas e atravessar a fortificação até ao seu exterior, podendo a partir dai seguir a estrada junto ao Aqueduto e ver este monumento em todo o seu esplendor. O Aqueduto tem 8,5 quilómetros e 843 arcos, numa altura máxima de 31 metros no rossio de São Francisco, entre a as muralhas da cidade e o Convento de São Francisco e o cemitério.
O terceiro circuito pode ser iniciado junto da Igreja da Nazaré entre o Aqueduto e a cidade, percorrendo a zona do viaduto até ao jardim das Laranjeiras. O caminho sugerido acompanha o jardim e entra na cidade junto ao antigo Hospital Militar, hoje transformado no Hotel São João de Deus, seguindo pelo passeio superior da Avenida Garcia da Horta permite ver a grandiosidade das muralhas seiscentistas, com os contrafortes e baluartes.  No final da avenida encontra uma das principais entradas na cidade, as Portas de Olivença. Para melhor observar o local é aconselhável sair pelas portas até observar o Forte de Santa Luzia a sul.
Entre novamente dentro da cidade e siga pela avenida de S. Domingos até ao antigo Quartel do Casarão que encerrou as suas portas como Regimento de Infantaria de Elvas, grandiosa construção que ocupa parte da muralha seiscentista e que hoje constitui parte do Museu Militar de Elvas. Estes imensos quartéis foram construídos depois da campanha de 1762-63 pelo engenheiro militar Valleré. Após demorada visita ao Museu  Militar, encerre o terceiro circuito no Largo de São Domingos, depois de ver Ábside gótica do Convento e  Igreja de São Domingos, monumento nacional.
Reserve a tarde para o quarto circuito pelo Forte de Santa Luzia, para onde se deve dirigir de carro, para depois poder percorrer todo o reduto do Forte, desenhado em forma de  estrela.
Exemplo da Arquitetura militar, moderna, este Forte mandado construir pela Coroa portuguesa, seguindo o sistema de defesa  abaluartado, tem a capela e a Casa do Governador ao centro rodeadas por uma cisterna , tendo servido de modelo a muitos fortes coloniais. Evidencia uma clareza lógica e um rigor de construção notáveis à data.
Aconselhamos o ultimo passeio para a manhã de domingo, visitando o Forte Nossa Senhora da Graça, obra-prima da arquitetura militar europeia, construído a norte da cidade, no monte da Graça – obrigatório deslocar-se de carro- após o  Marquês de Pombal  ter chamado o Marechal Wilhelm von Schaumburg-Lippe, conde de Lippe para reorganizar o Exército português, sendo por isso também designado por Forte Conde de Lippe.
A Porta do Dragão recebe os visitantes que podem desfrutar de uma estrutura de planta quadrangular com cento e cinquenta metros de lado, com  baluartes pentagonais nos vértices. A parte central do reduto é circular, com dois pavimentos e parapeito, abrindo canhoneiras para três ordens de baterias em casamatas, tem no topo da estrutura a Casa do Governador, com uma vista deslumbrante sobre Elvas, Campo Maior e Badajoz.
Visite com tempo de preferência com um dos guias existentes no local e percorra as muralhas do Forte da Graça, recuperado em novembro de 2015, a Jóia da Coroa que permitiu a Elvas juntar à maior fortificação abuartada do mundo, o reconhecimento da Unesco como Património Mundial.
Onde Comer
Três sugestões entre os muitos restaurantes. No centro da cidade, a Adega Regional  é um restaurante típico português de cozinha regional, conservador dos saberes e sabores tradicionais. É neste espaço reconfortante e acolhedor que o chefe lhe propõe degustar várias especialidades,sempre acompanhadas de vinhos da região. Reserve pelo 969 451 566
Fora das muralhas, o Restaurante El Cristo, ao lado do Santuário do Sr.º Jesus da Piedade –vem do Santuário o nome El Cristo, dado pelo clientes espanhóis -ganhou fama como uma das maiores marisqueiras do interior do Pais. Possui um viveiro com capacidade para 4 toneladas de marisco, o que permite oferecer qualidade e frescura da costa nacional. O bacalhau dourado, é hoje uma iguaria imperdível. É melhor chegar cedo,  não vá engrossar a fila com os muitos clientes espanhóis.
Em S. Vicente, uma aldeia tipicamente alentejana a menos de 10 kms de Elvas, pode encontrar o Restaurante Pompilio, uma verdadeiro retiro para quem gosta de comer bem e de beber melhor. Dispõe de uma cozinha com  pratos de comida tradicional alentejana Reserve pelo  268 611 133.
Onde Dormir
O Hotel São João De Deus está situado num antigo convento convertido mais tarde em Hospital Militar de Elvas, na zona intra-muros, apresenta jardins com sombra e uma piscina com vistas para a cidade fortificada. Reserve 268 639 220
Fora das muralhas, mas com uma vista de frente para o imponente Aqueduto da Amoreira, em Elvas, encontra-se o Hotel D. Luís que dispõe ainda de um jardim com uma piscina sazonal. Reserve 268 636 710
O mais recente é o SL Hotel Santa Luzia que situa-se no edifício da antiga Pousada de Elvas, inaugurada em 1942, a mais antiga do Pais, foi remodelado e constitui um boa opção. Reserve 268 637 470