Cerimónia da Batalha dos Atoleiros (c/vídeos)

A vila de Fronteira assinalou esta quinta-feira, dia 6, os 633 anos da Batalha dos Atoleiros.

Esta histórica contenda entre portugueses e castelhanos ocorreu a 6 de Abril de 1384, no actual município português de Fronteira, distrito de Portalegre e a cerca de 60 Km da fronteira com Castela, entre as forças portuguesas, comandadas por Nuno Álvares Pereira, e uma expedição punitiva castelhana, enviada por João I de Castela, junto da povoação do mesmo nome, no Alentejo.

D. Nuno Álvares Pereira, chefe militar português que tinha sob o seu comando uma força de 1.500 homens de pé, dos quais 100 besteiros e 300 lanças (cavalaria ligeira e pesada). As forças castelhanas invasoras contavam com um efectivo com 5.000 homens.

Por esta altura, Nuno Álvares Pereira fora nomeado pelo Mestre de Avis como fronteiro do Alentejo, temendo este a entrada em Portugal do exército castelhano por aquela zona. Partindo de Lisboa, D. Nuno aumentou o número dos seus homens pelo caminho e aproximou-se do exército inimigo, que intentava cercar Fronteira. Mais numerosos e conscientes que D. Nuno os iria interceptar, os castelhanos enviaram um emissário ao chefe do exército português, tentando dissuadi-lo. Perante a recusa dos portugueses, o exército castelhano foi ao seu encontro. O exército português já os aguardava, formando um quadrado (retângulo, mais precisamente) com a maioria das lanças na vanguarda; nas alas e retaguarda estavam os peões, misturados com algumas lanças. Os castelhanos atacaram com a cavalaria, que foi contida pelas lanças e por virotões, o que gerou grande desordem. A batalha durou pouco, tendo sofrido o exército castelhano pesadas baixas.

As tropas castelhanas, que depois de desorganizadas foram tomadas pelo pânico, começaram a fugir em todas as direcções, sendo perseguidas por todo o resto do dia pelas forças de D. Nuno Álvares Pereira, que lhes deu caça até à distância de cerca de sete quilómetros do local da batalha.

A batalha dos Atoleiros constituiu na Península Ibérica a primeira e efectiva utilização das novas técnicas de defesa de forças de infantaria em inferioridade numérica perante uma cavalaria pesada muito superior. A mais conhecida destas será a técnica de «pé terra»» ou «pé em terra», pela primeira vez usada em Portugal: consistia em peões armados com lanças a esperar a carga da cavalaria inimiga, adoptando uma táctica defensiva.

A Rádio ELVAS esteve presente e apresenta-lhe vídeos da cerimónia e desfile militar.


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